Gabriel Medina se apoia na família para ser campeão mundial

Aos 20 anos, surfista brasileiro se escora na mãe e no pai para brilhar no circuito mundial do esporte

Paulo Favero - Enviado especial a Peniche, O Estado de S. Paulo

16 de outubro de 2014 | 07h00

Para alguns, Gabriel Medina já é campeão. Não estamos falando aqui de fãs e torcedores em geral, nem sobre a grande possibilidade de o garoto de 20 anos trazer pela primeira vez para o Brasil o título do Circuito Mundial de Surfe. Estamos falando de Simone e Charles, mãe e pai, conselheira e treinador, inspiração e transpiração.

Os dois são fundamentais para o sucesso do rapaz, que vem liderando a temporada na elite do surfe à frente de nomes consagrados como Kelly Slater, Mick Fanning e Joel Parkinson. "Eu sou o espiritual do Gabriel, o Charles é o técnico. As duas coisas juntas deram muito certo", afirma a mãe, reiterando que Medina é só para os outros, em casa ele é "Bi" ou "Biel".

Os dois, mais o irmão Felipe e a irmã Sophia, estão em Peniche para dar sorte ao surfista, que já está na terceira fase do Moche Rip Curl Pro Portugal. Se vencer o torneio, será campeão do mundo. "Fizemos um trato, quando ele tinha 12 anos, de começar a treinar para um dia ser campeão mundial. Era uma meta para estimulá-lo. Claro, muito precoce, mas acho que estamos no caminho", diz Charles.

Os pais perceberam o potencial de Gabriel logo cedo. "Ele colocava um peso no pé da frente que até alguns profissionais não sabem fazer. Aquele dia senti que tinha um talento diferenciado", diz o pai,

Só que ao mesmo tempo que o talento de Gabriel aumentava, o ex-arquiteto e triatleta Charles sabia que precisava se dedicar também para treinar o filho. "Eu aprendi com o Gabriel por ele ser um talento nato, por ele ter um QI esportivo acima do normal, e ele aprendeu comigo também. Eu fazia triatlo e tinha conhecimento de preparação física. Antigamente, todos os treinadores de surfe só vinham do surfe. E eu não era, com isso consegui passar outras coisas para ele."

O pai revela que sua ajuda foi no sentido de torná-lo um atleta, com um pensamento de vencedor. "A gente trabalhou bem o lado psicológico, o preparo físico, e eu também fui aprendendo, fui estudando o surfe. Vi que meu filho tinha um talento acima do normal e comecei a ver como os australianos treinavam, como os americanos, os brasileiros. Até com o próprio Gabriel aprendi", lembra.

O sucesso do menino prodígio no surfe trouxe dez patrocínios, premiações de eventos e uma tranquilidade financeira que a família não tinha tido até então. Mas mesmo assim a mãe sempre evitou que o garoto se deslumbrasse com o momento. "Ninguém é hipócrita de falar que não é bom você poder acordar e não ter a preocupação de como vai pagar as contas. É um privilégio, mas isso não vai nos corromper ou mudar o nosso caráter", explica Simone.

Ela reconhece que a vida melhorou com o talento de Gabriel e está começando a enxergar que ele não é mais um menino. "Eu sei que hoje o Gabriel é um homem. Não tenho como intervir em algumas decisões dele, que vai ter de aprender com a vida, mas arcar com as consequências das coisas. Acho que eu preciso aprender a ouvir ele como adulto, pois ele precisa conquistar o próprio espaço."

Simone lembra que precisa confiar em tudo que ensinou para o filho mais velho e isso o ajudará a seguir seu caminho. "Não ter criado um babaca até aqui foi ótimo, porque será mais fácil lidar com isso no futuro", conclui a mãe de Medina - no caso dela, "Biel".

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