Marcio Fernandes/ Estadão
Marcio Fernandes/ Estadão

Gabriel Medina tira lições importantes para a próxima temporada

Padrasto do surfista aprendeu que Gabriel 'não pode falhar tanto'

Paulo Favero, enviado especial ao Havaí, O Estado de S. Paulo

22 de dezembro de 2015 | 07h00

Gabriel Medina tirou lições importantes da temporada de surfe. Quem revela isso é Charles Saldanha, técnico e padrasto do surfista. Para ele, o atleta aprendeu que não pode falhar tanto e que a margem de erro é muito pequena em uma competição tão disputada. Confira a entrevista exclusiva.

Como é para você e o Gabriel Medina terminar um ano que começou mal de forma boa?

Foi um ano difícil, porque era pós-título, mas o Gabriel reagiu muito bem e na minha opinião ele até está melhor tecnicamente. A partir de Jeffreys Bay, ele foi colhendo resultados que, se você for somar, vai ver que ele ganharia o campeonato de lá para cá. Acabou finalizando aqui em Pipeline, mais uma vez, em segundo lugar, e sendo um dos melhores surfistas na água. Isso é importante.

Isso motiva vocês a projetar um 2016 ainda melhor?

É motivo de orgulho e dá esperança de que o Gabriel vá bem no próximo ano, e talvez até nos próximos dez anos, porque ele mostrou capacidade e conseguiu resultados em todos os tipos de onda. Ele ganhou na França, quando tinha um metro de onda, ficou em segundo no Taiti e em Pipeline, que são ondas pesadas, e quando o mar estava grande, ele passou as baterias sempre deixando os adversários em combinação. Então ele mostrou que está completo.

Que lições vocês tiram dessa temporada?

Temos de focar, o trabalho é duro, são dez etapas, é difícil, mas ele precisa fazer o resultado em oito. Se ele conseguir, e esse é o segredo, vão vir vários títulos aí. O que a gente aprende para a próxima temporada é que não pode dar mole, não pode falhar. Só podemos errar duas vezes, que são os descartes. A partir do momento que começa a falhar muito, fica difícil recuperar. Mas ao mesmo tempo a gente aprendeu que ajeitando as coisas, levando a sério, treinando, focando, o Gabriel tem capacidade para ganhar. 

Como será o trabalho de vocês no próximo ano?

Cada vez a gente vai se adaptando mais, o Gabriel vai ficando mais velho, e a gente vai vendo o que vai dando certo. É coisa pequena que a gente vai mexendo, ano a ano, e eu e o Gabriel em um acordo, pois não gosto de impor muito também. Queremos o melhor para ele. Tem vezes que temos de ficar separados da família, outras precisa focar mais, então todos esses detalhes a gente vai colocando no lugar para colher um resultado positivo. Qualquer esporte é assim, o atleta precisa de concentração. Com isso, o Gabriel pode ir longe.

Como você viu o título mundial do Mineirinho?

O Mineiro até falou que a gente acabou ajudando ele. E eu falei para ele que foi muito merecedor desse título, porque batalhou, se esforçou, e ninguém deu de graça para ele. Foi ele que conquistou. Se a gente foi exemplo, ele também foi exemplo para a gente, porque é um menino que leva a sério, é focado, fica longe de festa, de drogas, é um menino que quer ganhar e é um exemplo de atleta. Esse foi um prêmio, talvez não seja o final da carreira dele, mas a gente sabe que já passou da metade. Ele foi premiado com esse título mundial por tudo que ele fez e pelo exemplo que ele foi para os meninos, tanto do Brasil quanto do resto o mundo. Acho que o Gabriel e o Mineiro são exemplos para muitos atletas que vão vir aí, preste atenção neles.

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