Marcio Rodrigues/MPIX/CPB
Marcio Rodrigues/MPIX/CPB

Gabriela e Lorena estão juntas dentro e fora da pista no atletismo paralímpico

Amigas têm canal no YouTube para quebrar tabus sobre a cegueira

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

22 de abril de 2017 | 07h02

Rivais na pista do Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, no Open de Atletismo e Natação, Lorena Spoladore e Gabriela Vieira caminham juntas na vida. "Somos praticamente irmãs. Torço muito pela Gabi. Falo que ela será minha sucessora, vou ter muito orgulho de sair das pistas e deixá-la no meu lugar", conta a mentora, que conquistou prata no revezamento 4x100 m (classe T11-13) e bronze no salto em distância nos Jogos Paralímpicos do Rio.

Quatro anos mais velha, Lorena é uma referência para a amiga desde que se conheceram nas aulas de balé, em Goiânia. Ela foi a primeira a se aventurar no esporte e insistiu para que Gabriela seguisse seus passos.

"Fui para a primeira competição, passei mal e desisti. Mas decidi voltar depois de ver a evolução dela, que foi para o Mundial e entrou na seleção. Quero isso para mim também, é uma inspiração", diz a pupila. Aos 17 anos, a atleta passa por um período de transição do juvenil para o adulto e mostra determinação – morar com Lorena em São Caetano do Sul está nos planos.

A intimidade é tamanha que a dupla decidiu criar um canal no YouTube, chamado 'Cegas em Ação', para falar publicamente sobre cegueira. Devido a um glaucoma congênito nos primeiros dias de vida, Lorena perdeu a visão gradativamente. A família mudou-se do Paraná para Goiânia em busca de tratamento, mas já era tarde. A capital goiana também foi base encontrada pelos pais de Gabriela depois de deixar Floresta do Araguaia, no Pará, em busca da cura para o câncer maligno na retina. Como a doença estava avançada, a visão dela já havia sido comprometida.

'Chamar de cego não é ofender' foi o tema escolhido para o primeiro episódio do canal. "Tem um tabu muito grande em torno disso. Não vemos como ofensa, a não ser que fale de modo pejorativo", comenta Lorena. Um novo vídeo é publicado a cada segunda-feira pela manhã, e as gravações são feitas em série em Goiânia. "A ideia é ser uma coisa amadora, mas o mais profissional possível. Já está dando repercussão, a gente não esperava que seria tão rápido", comemora.

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