Wilton Junior/AE-4/8/2011
Wilton Junior/AE-4/8/2011

Gama Filho volta a garimpar talentos

Universidade carioca faz parceria com Botafogo para desenvolver projeto de alto rendimento em quatro modalidades

Bruno Boghossian, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2011 | 00h00

A Universidade Gama Filho vai montar uma equipe liderada por ex-atletas olímpicos para coordenar um novo programa de esportes de alto rendimento, no Rio. Com foco na Olimpíada de 2016, a instituição vai investir R$ 17 milhões na criação de um centro de formação e treinamento no Estádio Olímpico João Havelange, Engenhão, fruto de uma parceria com o Botafogo.

As atividades começam no início de setembro, com a abertura de vagas para os cursos de graduação e pós graduação em Educação Física, Fisioterapia e Nutrição em um prédio construído no terreno do estádio. Até o fim do ano, estarão em funcionamento laboratórios esportivos, salas de aula, um ginásio, uma quadra de vôlei e duas piscinas - uma olímpica e uma de aquecimento. O objetivo será criar equipes de alto nível de atletismo, natação, judô e ginástica olímpica.

"Vamos aplicar a tecnologia e o acompanhamento técnico dos nossos profissionais para formar atletas de alto rendimento e desenvolver ainda mais suas habilidades", afirma o reitor da Gama Filho, o professor Márcio André Mendes Costa. "Queremos treinar atletas para criar equipes de ponta para disputar campeonatos de alto nível."

Um dos objetivos da universidade é resgatar uma tradição histórica nos esportes olímpicos, que teve destaque nos anos 80 e no início da década seguinte. Medalhistas brasileiros, como o judoca Flávio Canto e o velocista Robson Caetano fizeram parte do time da Gama Filho.

Além de formar equipes treinadas por antigos campeões, a instituição pretende aplicar tecnologia e serviços médicos para permitir o desenvolvimento completo do potencial dos atletas. Um scanner 3D vai permitir a correção de movimentos e a prevenção de lesões. "Com esse equipamento, técnicos e fisiologistas podem avaliar, em tempo real, o desempenho do atleta nos movimentos necessários para o seu esporte. Com isso, poderemos corrigir imperfeições que levam à perda de rendimento e que podem provocar lesões por esforço repetido", descreve o reitor.

Equipes multidisciplinares de técnicos e fisiologistas serão as responsáveis pela atenção aos mínimos detalhes da performance dos atletas de ponta. Mendes Costa diz que profissionais da instituição cuidarão até a saúde bucal dos esportistas.

"Mesmo os pequenos detalhes podem levar a uma melhora do desempenho. A questão odontológica não recebe a atenção necessária no Brasil, mas nós sabemos que um atleta que precisa de explosão muscular pode perder até 15% de seu rendimento se tiver uma infecção dentária", diz o reitor, que a assumiu o comando da Gama Filho em janeiro, após a fusão com a UniverCidade.

Graduada em Educação Física pela Gama Filho, a ex-atleta Luisa Parente é cotada para coordenar a equipe de ginástica artística. Parente, que participou das Olimpíadas de Seul (1988) e Barcelona (1992), acredita que o desenvolvimento de programas esportivos em universidades deve incentivar a formação de atletas de ponta no Brasil.

"O investimento no esporte universitário é importante para preencher uma lacuna que existe entre o treinamento de base e a formação das equipes de alto rendimento", avalia a ex-ginasta. "Os campeonatos universitários são fortíssimos em países como os Estados Unidos, pois as instituições têm estrutura e capacitação técnica para a formação de grandes talentos."

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