Ganso aumenta crise com o presidente

Jogador não gostou das críticas de Luís Álvaro e atacou o cartola. 'Ele sempre fica me jogando contra a nossa torcida'

VÍTOR MARQUES, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2012 | 03h02

Não existe dúvida de que o Santos é outro time com Neymar e Ganso em campo. A ascensão do time no Brasileiro, comprovada ontem após vitória em mais um clássico, é uma realidade.

Mas um deles é aplaudidíssimo e o outro, vaiado pela própria torcida. Neymar voltou voando da seleção. Marcou na vitória contra o Figueirense, foi essencial diante o Corinthians e fulminou o Palmeiras, com um golaço de falta e outro que contou com ajuda de Bruno. Paulo Henrique Ganso também jogou essas três partidas pelo Campeonato Brasileiro. Se não foi brilhante, esteve longe de jogar mal.

Mas a interminável novela que se criou em torno de sua permanência no clube queimou seu filme com a torcida. "Não é mole, não, mais respeito com a camisa do Peixão", foi o protesto direcionado a ele antes da partida.

"Não é a primeira vez que acontece isso, mas tenho a cabeça boa e sempre honrei a camisa do Santos. Ninguém lembra de quando joguei machucado", afirmou o meia. No contato que teve com os repórteres antes de descer para o vestiário o meia voltou a deixar claro que não suporta o presidente Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro.

Quando lhe perguntaram se tinha certeza de que terminará o campeonato jogando pelo Santos, ele disse: "Tenho contrato e gosto de jogar aqui. O problema é que tem gente que fala o que não deve e isso me deixa chateado. O presidente fica sempre me jogando contra a torcida."

Já o presidente Luís Álvaro, em entrevista à Rádio Bandeirantes, disse que está "de saco cheio" do assunto. "Quem fala o que quer, ouve o que não quer, o torcedor tem de ser respeitado. Fui procurado por muitos 'torcedores' que se sentiram desrespeitados com a declaração dele, um ator de teatro pode ser aplaudido ou vaiado quanto está no palco, no futebol é a mesma coisa."

Ganso, ainda que não tenha feito uma grande partida contra o Palmeiras, participou dos dois gols do amigo Neymar. No primeiro, cavou muito bem uma falta cobrada com categoria pelo parceiro. No segundo, ele estava do lado de Neymar e lhe deu um passe para o atacante acertasse o canto direito de Bruno.

Nesse momento, Neymar correu em direção a outros companheiros e ensaiou mais uma de suas comemorações. Ganso foi andando para o meio de campo, num sinal claro de que os dois estão em rotações diferentes.

"Nessas três partidas ele (Ganso) voltou a jogar bem", disse Muricy. "Ele só não gosta de fazer gols, para ele um gol é um passe." O técnico se referiu a um lance que Ganso, ao receber bola de Neymar, saiu na cara do gol, mas preferiu o passe ao invés de chutar ao gol. Depois do jogo, Neymar tratou de blindar o companheiro. "É meu amigo pessoal, quero vê-lo feliz e do meu lado, e para mim ele está jogando bem, o mesmo Ganso de sempre."

Reação. O técnico Muricy Ramalho não soube dizer em que patamar esse 'novo' Santos pode chegar no segundo turno do Campeonato Brasileiro. Mas ele foi preciso ao explicar como o time virou o jogo de ontem. "Se a gente quisesse mesmo vencer teríamos de jogar muito e não ficar assistindo o Palmeiras jogar, eles tiveram mais atitude."

Essa foi a radiografia do primeiro tempo do clássico, uma vez que o Santos foi encurralado pelo Palmeiras na maior parte do tempo e só empatou a partida na etapa inicial com o gol de falta de Neymar. "Mas no contra-ataque o Santos é um time perigoso, fizemos o segundo gol com uma jogada de Neymar e a gente melhorou", finalizou o técnico.

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