Shizuo Kambayashi/AP
Shizuo Kambayashi/AP

Ganso confirma venda de 10% dos seus direitos econômicos à DIS

Mas jogador diz que recusa do Santos não muda sua vontade de jogar pelo clube no Mundial

Luís Augusto Mônaco, Agência Estado

10 de dezembro de 2011 | 18h02

NAGOYA - A DIS comprou neste fim de semana mais 10% dos direitos econômicos de Ganso, e agora tem 55% contra 45% do Santos. A parte adquirida neste sábado por R$ 5 milhões pertencia ao jogador, e não interessou ao presidente Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro nem aos integrantes da Teisa, a empresa de investimento formada por empresários santistas.

Por contrato, o Santos teve um mês a partir do momento em que foi comunicado da intenção da DIS para decidir se pagava os R$ 5 milhões para Ganso. O prazo venceu no dia da reeleição de Luís Álvaro, a 48 horas do embarque para o Mundial, e a resposta foi "não".

"Já tinha conversado com o Santos, só que o Santos não quis. Foi avisado antes. Não sei por que, não me falaram o motivo. Foi oferecido, não quiseram e vendi para a DIS. A gente fica até meio querendo saber o porquê. Mas deixo as coisas aconteceram e só me preocupo com o Mundial", afirmou Ganso, neste sábado.

É uma decisão surpreendente para uma diretoria que alardeia há um mês a disposição de oferecer ao meia um projeto de carreira semelhante ao que transformou Neymar num dos jogadores mais bem pagos do mundo. Se o clube aposta tanto na valorização de Ganso, fica difícil entender o motivo de não ter investido R$ 5 milhões para aumentar sua fatia numa eventual venda para o exterior. E se 10% dos direitos dele estão avaliados em 2 milhões, significa que seu valor é de 20 milhões - menos da metade dos 50 milhões estipulados em sua multa rescisória.

"Mas isso não muda em nada minha vontade de estar aqui e jogar pelo Santos. O Ganso esta focado no Mundial, e confirmo, sim: a DIS tem 55% agora. A influência maior é minha. O dia que não quiser mais jogar pelo Santos, vou ser bem sincero com todos, com a torcida e vou dizer: ''Estou de partida''. Mas não é o momento agora", esclareceu o meio-campista.

O Santos paga suas contas em dia, mas não tem fôlego para voos solo em contratações ou investimentos como o que deixou de fazer para ter mais 10% dos direitos econômicos de Ganso. O peso do elevado valor (R$ 1,5 milhão) que o clube tem de pagar de juros mensais de sua dívida inibe grandes gastos. Daí vem a necessidade de pedir ajuda constantemente a parceiros - como o BMG e a Teisa, por exemplo.

Em sua guerra com a DIS, Luís Álvaro vive dizendo que "Ganso não é bobo e já percebeu que perdeu R$ 5 milhões este ano por ter dado ouvidos aos seus agentes e não ter assinado o contrato que lhe oferecemos". Agora que o Grupo Sonda colocou esse valor no bolso do jogador, o argumento do presidente não tem mais validade. E a imagem que fica é que foi a DIS, e não o Santos, que recompensou o meia.

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