Ganso reencontra seu futebol no Japão

Meia brilha nos 3 a 1 diante do Reysol, recebe elogios da imprensa internacional e sai em silêncio do estádio

LUÍS AUGUSTO MONACO / TOYOTA, ENVIADO ESPECIAL , O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2011 | 03h04

Ganso optou pelo silêncio no dia em que reencontrou seu futebol. Ele passou pela área de entrevistas, no estádio de Toyota, sem falar com ninguém, limitando-se a se desculpar e a prometer que conversará com os jornalistas depois da final, no domingo. Ficou no ar se ele também vai passar direto pela imprensa depois dos treinos de amanhã e sábado em Yokohama.

Depois de uma atuação como a de ontem, o craque não teria motivo para se esquivar de dar declarações. Jogou muita bola, encantou jornalistas europeus que estavam no estádio (o enviado do italiano La Gazzeta dello Sport, Paolo Condò, o classificou de "um grande"; Cristina Cubero, do diário Sport, de Barcelona, ficou impressionada com sua elegância e disse que ele tem tudo para fazer sucesso na Europa) e voltou a ser importante para o time.

O problema é que sua decisão de vender os 10% de seus direitos econômicos para a DIS ainda repercute entre a diretoria do Santos, e isso talvez o tenha levado a evitar as entrevistas para não correr o risco de ouvir alguma pergunta sobre o assunto.

O presidente Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro chegou de Tóquio no início da tarde de ontem e logo de cara foi dizendo estar acostumado a "informações sem sentido como essa em dias de jogos importantes".

Quando perguntado sobre o fato de Ganso ter confirmado a informação antecipada pelo Estado na edição de sábado, ele mudou o discurso. Mas continuou ensaboado. "Não estou preocupado com isso agora. Converso semanalmente com o Paulo Henrique e vamos sentar para conversar em janeiro de novo", disse o dirigente.

Luis Alvaro não quis ir a fundo no assunto porque as declarações de Ganso no fim de semana desmentiram o que ele vinha dizendo recentemente sobre o meia estar desiludido com a DIS.

Ficou claro mais uma vez que o jogador está fechado com a empresa que passou a ter 55% de seus direitos - os outros 45% são do Santos.

Insatisfação. O que mais irritou a diretoria foi Ganso ter dito que o clube foi informado de sua intenção de vender seus 10% e não se interessou em exercer a opção de preferência que lhe era garantida por contrato.

Por meio da assessoria de imprensa e de dirigentes que estavam em Nagoya antes da chegada do presidente, o clube afirmou que nunca teve conhecimento de que o jogador queria vender a parte que lhe cabia.

Em seu último contato com a imprensa antes da partida, o meia declarou que só voltaria a falar do assunto depois do Mundial. Domingo, ganhando ou perdendo, ele ouvirá perguntas sobre a venda de seus direitos econômicos. A dúvida é se colocará panos quentes ou se não esconderá o que pensa e sente.

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