Ganso vira o vilão no fiasco santista

Torcida joga moedas em direção ao meia, que rebate as críticas. 'Dei títulos ao Santos. É triste ouvir isso (mercenário)'

GONÇALO JUNIOR, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2012 | 03h03

O mundo caiu sobre a cabeça de Ganso após a surpreendente derrota de virada do Santos para o Bahia, por 3 a 1, na Vila Belmiro, ontem à noite. Considerado o principal culpado pelo vexame, o meia foi chamado de "mercenário" por parte da torcida e teve de ouvir gritos como "o Santos não precisa de você". Apesar de abatido, o camisa 10 mostrou serenidade.

"Vivi momentos extraordinários e dei títulos para o Santos e agora sou chamado de mercenário. Estou tranquilo. Sei que torcedor é assim mesmo e vive só de emoção. Essa é a cultura do nosso país", disse o meia.

Diante do revés santista - o primeiro nas últimas cinco rodadas e que joga uma pá de terra nas pretensões imediatas do clube de ser aproximar do G-4 -, a torcida mostrou sua indignação com a indefinição do futuro de Ganso no Santos. Ao longo da semana passada, a diretoria do São Paulo fez uma proposta oficial por sua contratação - recusada pela diretoria santista -, mas o jogador chegou a declarar que seria um prazer jogar pelo São Paulo. Durante a Olimpíada, o Inter mostrou interesse em sua contratação. Mesmo depois das moedas de dez centavos atiradas no gramado em sua direção, Ganso evitou falar sobre o futuro.

"Não sei se é o fim da linha (no clube). Quem tem de decidir isso é o comando. É difícil até falar a verdade....Vou manter a cabeça tranquila, mas é triste ouvir isso (gritos de mercenário). E logo eu que tenho um dos salários mais baixos do time", lamentou.

Outros culpados. Ganso, obviamente, não foi o único culpado pela derrota que tirou o time baiano da zona do rebaixamento. O Santos perdeu - merecidamente - por três fatores principais: excesso de confiança por enfrentar um rival que estava lutando para não cair e ter vencido os dois últimos clássicos (Corinthians e Palmeiras); a excelente atuação do Bahia, que foi muito além da retranca e dos contra-ataques; e, por fim, a triste jornada da defesa, o calcanhar de Aquiles de uma equipe ainda desequilibrada em sua retaguarda.

Mesmo antes de fazer o primeiro gol, aos 14 minutos - excelente jogada de Neymar que André apenas completou - o time mostrou mais firulas que objetividade. Um drible a mais aqui; uma jogada de efeito ali e as chances caíam por terra. Foi assim quando Ganso engrossou uma finalização dentro da área, sozinho, e André tentou uma cavadinha fora de hora.

O técnico Jorginho, que estreou ontem, mostrou que vai continuar ofensivo, mesmo fora de casa. O Bahia aceitou a troca de golpes apoiado no poder de finalização de Souza e Zé Roberto. Faltou objetividade. A bola rodava de um lado para o outro e só. As grandes chances foram um chute de longe de Hélder, que fez balançar o travessão de Rafael e um chute torto de Souza.

O terceiro - e decisivo - fator para a derrota santista deixou sua marca no início do segundo tempo. Os baianos aproveitaram os avanços de Juan, a atuação atabalhoada da dupla de zaga e construíram a vitória de virada. Primeiro, com Souza, que ganhou de Durval dentro da área. Depois, no gol da virada, Rafael colaborou e, mal posicionado, aceitou a falta bem cobrada por Neto. O terceiro e humilhante tento saiu após uma linha de passe com arremate primoroso de Gabriel. Foi demais para a torcida santista, que elegeu Ganso como único vilão.

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