Garoto morto em jogo da Libertadores era apaixonado pelo San Jose

Kevin Douglas Beltrán, de 14 anos, será enterrado nesta sexta-feira

Gonçalo Junior, Raphael Ramos e Vítor Marques, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2013 | 02h07

SÃO PAULO - Kevin Douglas Beltrán será enterrado nesta sexta-feira em Cochabamba, cidade em que morava e que está localizada a 226 quilômetros de Oruro, onde morreu durante a partida San Jose x Corinthians atingido por um sinalizador.

Ele viajou com a família unicamente para assistir à partida, aguardada desde que o San Jose garantira sua classificação para o Grupo 5 da Libertadores.

Kevin era sobrinho de Jorge Ustares, secretário-geral do município de Oruro - que estava no estádio e não imaginou que a vítima fosse da sua própria família. "Ele era um menino alegre, estudioso e fanático pelo San Jose, sua grande paixão", contou.

"Uma pessoa foi assassinada de uma forma totalmente irresponsável por outras pessoas de fora. Foi um delito cometido na frente de 30 mil testemunhas", afirmou ao periódico boliviano Los Tiempos.

O sinalizador de navio atirado pela torcida do Corinthians atravessou o olho e perfurou o crânio do adolescente de 14 anos. De acordo com o inquérito, era um cilindro de plástico com 2,5cm de diâmetro e 20 centímetros de comprimento. A morte foi imediata.

O "Caso Estadium", como está sendo chamado em Oruro, provocou grande comoção nas ruas simples da cidade da periferia, que vive da mineração de prata e estanho e da agricultura de subsistência. Poucas casas têm acabamento e a maioria dos 200 mil bolivianos trabalha na vizinha Potosi. Na quinta-feira, o dia foi de luto até nos poucos pontos turísticos, como o Parque de Sajama. O silêncio da tristeza só foi quebrado pelos protestos de um grupo de torcedores do San Jose, que foram até a porta da delegacia "pedir justiça".

Aos gritos de "assassinos", não se conformaram com o episódio, afirmando que os brasileiros haviam sido bem recebidos - até com admiração - antes do jogo.

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