Paulo Favero/Estadão
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Garotos sonham em repetir Isaquias e fazer história em Tóquio

Savio Santana e Elton Santos vêm obtendo bons resultados na canoagem

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

27 Agosto 2016 | 17h00

Dois adolescentes de Ubaitaba, que são apontados pelos treinadores do projeto social como promissores, sonham repetir o feito de Isaquias nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. Savio Santana, de 16 anos, e Elton Santos, de 15, vêm obtendo bons resultados e treinam forte para quem sabe um dia poder representar o Brasil em competições importantes.

Savio já foi campeão sul-americano no C1 500m e no C1 1.000m. Não tem o jeito falador de Isaquias, mas tem uma remada forte como o ídolo da cidade. “Eu comecei no esporte em 2013, por influência dos amigos”, explica Savio, que lamenta não estar mais recebendo o dinheiro do BNDES.

Já Elton, de 15 anos, começou há três anos também por influência dos amigos. “Acabei gostando e estou aqui até hoje”, conta. Ele explica que os treinamentos oscilam a cada semana, às vezes é feito com mais força, em outras os atletas têm um ritmo menor, tudo dentro de uma programação para desenvolver garotos da melhor maneira.

O que mais atrapalha é a falta de estrutura, pois os equipamentos da associação não são de ponta e isso acaba dificultando a vida dos rapazes. “Já vi gente usando joelheira de isopor porque não tinha outra”, revela, citando um equipamento muito utilizado por atletas da canoa, onde se fica ajoelhado em uma das pernas para remar.

Aliás, na canoagem velocidade existem dois tipos de embarcação, a canoa e o caiaque. Mas a tradição em Ubaitaba é da canoa e é raro ver alguém de caiaque, no qual se usa um remo com duas pás, movimentando para ambos os lados. Na canoa se rema com apenas uma pá, em um dos lados, usando as duas mãos para fazer força.

Camila Lima, professora dos garotos, lembra que os atletas bons de caiaque são do sul do Brasil. Ela até ri quando se lembra que a primeira canoa de competição foi doada por um pessoal do sul. “Aqui ninguém quer remar em caiaque. Temos uma tradição na canoa”, conta.

A presença de Isaquias na cidade baiana, durante as férias do medalhista olímpico, anima os garotos. “Ele sempre fala com a gente quando vem aqui na associação”, conta Elton, que já tem na ponta da língua o que é preciso para chegar na Olimpíada. “Tem que treinar forte. Mas também é necessário que se invista na base, para que novos atletas surjam”, afirma.

Além da dupla, outros garotos remam todos os dias no rio de Contas. Apesar das dificuldades, o exemplo de Isaquias serve de estímulo para que o Brasil tenha outros ótimos canoístas não só em 2020, como em 2024 e assim por diante.

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