Imagem Antero Greco
Colunista
Antero Greco
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Garra e Neymar. A receita para se livrar do Chile

Neymar desequilibrou outra vez, Fred enfim desencantou, Fernandinho entrou no lugar de Paulinho, talvez para não sair mais, e ainda fechou a goleada por 4 a 1 sobre Camarões. Todos esses aspectos merecem destaque na apresentação da seleção. Mas o que me impressionou pra valer aconteceu nos segundos finais.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2014 | 02h02

Não sei se você notou, mas relato aqui. Bola espirrada no meio-campo encontrou um camaronês no lado esquerdo da defesa brasileira, sem marcação. Dominou em velocidade, partiu para a área e, de repente, se viu a apostar corrida com David Luiz. O zagueiro saiu feito doido, para interromper a jogada, dividiu, caiu fora do campo, esgotado. E... o juiz apitou o fim da partida.

A disposição de David foi significativa. Poderia até poupar-se, porque um gol rival àquela altura não modificaria nada a classificação. Mas decidiu doar-se um pouquinho mais. E, assim, sem intenção explícita, indicou o caminho a ser seguido contra o Chile, no Mineirão. O Brasil precisa entregar-se do primeiro ao derradeiro lance, se não quiser ver interrompida caminhada para o sexto título mundial.

Realço o esforço adicional de um jogador - porém, o reconhecimento pode ser estendido aos demais. Pois dessa maneira a equipe de Felipão compensou, sobretudo no segundo tempo, as falhas, a desatenção, o desempenho decepcionante de alguns no início.

Pessoal, o desafio terminou em surra, só que os camaroneses deram trabalho além da conta. E conseguiram assustar por méritos próprios e por vacilos da seleção. Os africanos entraram em campo desclassificados, desmoralizados, desacreditados. Deve ter batido neles sentimento do gênero "Dane-se, estamos encrencados. Então, vamos pra frente."

E foram, de fato, com boas trocas de passes, lançamentos, dribles (especialmente pra cima de Daniel Alves), chutes a gol, para testar os reflexos de Julio Cesar e os nervos da torcida. O prêmio deles foi o gol de empate. Mas o futebol limitado não se mostrou suficiente para colocar em risco a vaga nacional - e como a primeira colocada da chave.

Camarões esboçou resistência, e isso foi bacana. Só não dava para segurar Neymar. Na hora do aperto, nos momentos em que o panorama era feio pra chuchu, cada um que roubava a bola tratava de jogá-la para ele. E Neymar não negou fogo: marcou os dois primeiros, fora dribles, chapéus, provocações e graças inconsequentes para arrancar aplausos do público. Fez o showzinho, merecido.

Tudo bem na família Scolari? Não. Daniel Alves continua capenga, Hulk destoa e é candidato a sair, embora seja difícil supor o que passa na cabeça do técnico. Pelo menos, que mantenha Fernandinho. Com ele, o Brasil teve meio-campo, o que havia tempo não ocorria com Paulinho.

Escrevi ontem que Camarões daria ocasião para Felipão fazer acertos. A chance apareceu, ele a usou e se deu bem. Tomara prossiga, pois contra o Chile serão necessários garra, Neymar e, claro, mais futebol, sempre mais.

ANTERO

GRECO

Tudo o que sabemos sobre:
Antero Greco

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.