Garra leva São Paulo ao empate

Time fica duas vezes em desvantagem, mas mostra poder de superação e busca a igualdade com o Flamengo

Almir Leite, O Estadao de S.Paulo

13 de julho de 2009 | 00h00

Em termos de resultado, não foi lá essas coisas o empate do São Paulo por 2 a 2 com o Flamengo, ontem, no Morumbi. No entanto, o técnico Ricardo Gomes, iniciando seu trabalho e ainda longe de uma definição da maneira com quer que o time jogue, tem alguns aspectos positivos a destacar: após um péssimo primeiro tempo, na etapa final a equipe demonstrou grande disposição, cresceu e soube lidar com a pressão de ter o resultado desfavorável. Até empatar. Acesse e ouça os gols da partidaAlém do poder de reação, o São Paulo ainda pode reclamar com razão de um pênalti sofrido por Washington aos 47 minutos, não marcado pelo sofrível Ricardo Marques Ribeiro. O juiz mineiro, integrante do quadro da Fifa, é confuso nas interpretações e se protege distribuindo cartões a torto e a direito, vários sem necessidade. Ontem, foram 11 amarelos (9 para flamenguistas) e 1 vermelho.A semana de treinos não foi suficiente para Ricardo Gomes fazer os jogadores do São Paulo compreenderem o que ele quer. Foi o que se pôde perceber no primeiro tempo. O que se viu foi uma equipe confusa, com extrema dificuldade para elaborar jogadas e bastante atrapalhada no momento de se defender.É certo que o Flamengo contribuiu bastante para complicar o São Paulo. Marcou forte, por várias vezes já a partir do campo do adversário e, de posse da bola, procura tocar passes com velocidade e pelos lados.Mesmo com muitos desfalques - os volantes Kléberson e Aírton e o atacante Emerson estavam suspensos, o lateral-esquerdo Juan e o volante Toró machucados, sem contar que o meia Ibson deixou o clube - os cariocas se impuseram.O São Paulo de Ricardo Gomes ainda está longe do entrosamento. Isso fica claro em situações como o isolamento de Borges no ataque - Hugo não fez a aproximação que se esperava - e a indefinição do posicionamento do zagueiro Renato Silva (acabaria expulso ao receber o segundo cartão amarelo com 43 minutos de jogo), que começou a partida jogando pela lateral direita, mas logo passou a terceiro zagueiro. Aí, então, Arouca passou a ocupar o setor, para o qual fora escalado.A consequência é que o Flamengo terminou o primeiro tempo com merecida vitória. Fez o primeiro gol graças a uma pixotada do goleiro Dênis, que ao "estourar?? uma bola acertou o corpo de Fierro. O rebote ficou com Adriano, que tocou para o Chileno chutar com o gol aberto. A bola ainda desviou em Miranda, mas acabou entrando, aos 3 minutos.O incansável Borges empatou aos 18, na conclusão de um dos poucos lances efetivos do São Paulo. Miranda lançou Marlos, que livrou-se de um zagueiro e rolou para o atacante completar. Três minutos depois, porém, num lance de agarra-agarra, o juiz deu pênalti de Renato Silva em Adriano. O atacante flamenguista cobrou bem, no canto esquerdo de Denis. A torcida são-paulina estava irritada com os jogadores - na metade do segundo tempo, vaiou Hernanes e Hugo quando foram substituídos por Jorge Wagner e Eduardo Costa, respectivamente, e depois criticou fortemente a entrada de Washington no lugar de Borges -, mas certamente deve ter acabado por reconhecer o empenho da equipe na etapa final. O Flamengo tentou levar a partida em banho-maria. O São Paulo se inflamou. Passou a dominar, embora não ameaçasse o gol adversário. Miranda liderava a reação, com garra e também aparecendo na armação e até no ataque. E foi numa subida dele que o time paulista empatou. O zagueiro foi derrubado por Willians, num lance que pareceu ter acontecido fora da área. Mas o juiz marcou pênalti, cobrado por Jorge Wagner no canto direito de Bruno: 2 a 2.Se ficou dúvida sobre aquele pênalti, foi clara a falta de Everton Silva em Washington, na área, aos 47 minutos. Só o juiz não viu. E o São Paulo saiu reclamando que a possibilidade de vitória lhe foi tirada.

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