Geração ''baixinha'' trabalha pesado

Seleção brasileira tem média de altura de 1,77 m, mas não falta determinação ao grupo, que treina em Jundiaí

Valéria Zukeran, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2011 | 00h00

O técnico da seleção brasileira de basquete feminino de desenvolvimento, Luiz Cláudio Tarallo, tem uma importante missão: desenvolver o potencial de suas pupilas para a Olimpíada de 2016 já partindo de uma desvantagem: a altura. Se o Brasil sempre teve dificuldade em encontrar mulheres de alto porte físico, para os Jogos a perspectiva é mais preocupante: as duas pivôs mais altas do time, Damaris e Sassá, medem 1,90 metro - muito para a média brasileira, pouco para as exigências do esporte.

Para se ter uma ideia da dificuldade extra do time, basta ver as estatísticas do último Campeonato Mundial. A seleção brasileira tinha média de altura de 1,86 metro - quatro das atletas com mais de 1,90 metro, e a pivô Alessandra, de 2 metros, como a mais alta. A média de altura das 15 jogadoras da seleção de desenvolvimento é de 1,77 m.

Tarallo diz que o problema da altura já pôde ser constatado em competições entre seleções das categorias de base. "Até procuramos garotas mais altas, mas não basta apenas ter altura, é preciso ter técnica e as atletas que estão aqui são as que combinam melhor as duas características."

O treinador conta que já viajou atrás de atletas - especialmente jovens com altura superior a 2 metros -, mas não é fácil. "Muitas vezes a família resiste à ideia de deixar a filha sair de casa para treinar em outra cidade", conta Tarallo. "Recentemente, por exemplo, fomos atrás de uma menina na Bahia com mais de dois metros. Nem a Hortência (diretora do basquete feminino da CBB) indo pessoalmente e se comprometendo a cuidar dela a família cedeu. No fim, ela preferiu tentar a carreira de modelo."

Com o objetivo de proporcionar um treinamento mais uniforme aos jovens talentos, a Confederação Brasileira de Basquete (CBB) formou recentemente suas seleções de desenvolvimento. As atletas do feminino se mudaram para a cidade de Jundiaí, no interior de São Paulo, onde contam com orientação esportiva, escola, alimentação, alojamento e acompanhamento de uma comissão técnica composta de preparador físico, médico, fisioterapeuta, psicólogo, nutricionista e ginecologista.

O grupo se prepara para o Mundial Sub-19, no Chile, em julho. Antes, o time deverá fazer uma série de amistosos no exterior no qual poderão avaliar a preparação. Tarallo conta que tem trabalhado para que o time desenvolva habilidades capazes de superar as deficiências. "Tenho incentivado as meninas a serem mais corajosas e a não terem medo de chutar de três pontos. Será uma alternativa, por exemplo, contra equipes europeias."

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