Gerações do surfe se unem em Ubatuba

Durante as etapas do SuperSurf, o campeonato brasileiro da modalidade, duas gerações estão unidas pelo mesmo sonho: de que uma surfista brasileira chegue ao topo do mundo, com a conquista do título mundial do WCT (World Championship Tour, a elite mundial do surfe). Doisexemplos dessa luta são a veterana Brigitte Mayer, de 34 anos, e a novata Cláudia Gonçalves, de 17. Brigitte, só de carreira, tem três anos a mais que Cláudia. Surfa desde os 14 e não sabe quando vai parar. Cláudia tornou-se profissional este ano e batalha para se manter na elite da competição brasileira. Ano passado, foi campeã brasileira da categoria amadora. "Sempre fui da água e brincava com minhas irmãs e amigos. Antes de surfar, nadava de peito, brincava com prancha de isopor. Um dia, na Barra da Tijuca, meu amigo me colocou em cima da prancha de surfe dele e foi amor à primeira vista", conta Brigitte, pioneira em se tornar surfista profissional entre atletas brasileiras. "Toda minha família surfa. Até os 11 anos, eu tive uma prancha de body board. Quando fiz 12, meu pai me deu uma de surfe e não larguei mais", diz Claudia. As duas atletas sempre tiveram apoio total da família quando decidiram que seriam surfistas. "Meu pai ficava meio preocupado com as viagens, coisa de qualquer pai. Mas com o tempo ele acostumou", justifica Cláudia. Em 1990, quando foi correr o circuito mundial, Brigitte tornou-se profissional. "Nem existia isso naquela época aqui no Brasil. Também não havia nenhum circuito brasileiro. Nessa mesma época tive um acidente de carro e fiquei parada um bom tempo.Voltei a competir em 1993, quando surgiram as primeiras competições nacionais", assinala a atleta, que foi campeã nacional em 1998. Sobre a geração de Claudia, Brigitte afirma: "O surfe vive hoje um momento muito feliz. Tudo o que imagineique ele se tornaria está acontecendo. Eu mesma não acreditava que pudesse viver esse momento. Agora que cheguei aqui, não pretendo largar esse ´osso´ por nada." Cláudia, que nasceu em São Paulo, morou dez anos em Alagoas e hoje vive em Florianópolis, começou a competir aos 14 anos. O início foi na Praia do Francês, em Alagoas. Este ano está servindo como laboratório para a novata. "Ano passado competi no SuperSurf como amadora. Esta temporada foi diferente - garanti minha vagaporque fui campeã brasileira amadora. Sinto muita diferença técnica de uma categoria para outra. Fiquei em nono nas duas primeiras etapas (em Maresias e Itacaré), e tudo o que quero éme manter na elite brasileira." A jovem sonha mais alto. "Quero ver se ainda este ano participo de algumas etapas do WQS (World Qualifying Series, a segunda divisão do surfe mundial). Claro que sonho em ser campeãdo WCT", diz Claudia, que só fez uma viagem internacional na carreira - para o México - e quer conhecer as ondas da Indonésia. As ondas de Bali, aliás, são as preferidas de Brigitte, que já viajou o mundo todo. "Gosto mais dos lugaresmais calmos, que transmitem paz de espírito. Não gosto do Havaí, mas têm lugares como Costa Rica e Panamá que me encantam", diz Brigitte. A veterana carioca é a única do circuito brasileiro que tem curso superior completo: "Me formei em 1989 em Análise de Sistemas e até hoje trabalho como analista de suporte na empresade um amigo. Ele me dá todo a apoio. Quando ele me chamou para trabalhar, impus a condição de que precisaria ficar ausente por alguns dias em determinados meses. Além disso, lá onde trabalhoas pessoas torcem demais para mim, até acompanham as competições pela internet. Sou muito sortuda por conseguir levar as duas coisas." Para Cláudia, que está no terceiro ano do ensino médio, estar no mar resolve todos os seus problemas. "Sou apaixonada por tudo o que há no surfe. Quando estou com qualquer problema,vou surfar. Fico sozinha com as ondas e tudo parece melhor depois." A paulista não pretende se desvincular do esporte nem quando parar de competir: "Vou prestar vestibular para Publicidade e Propaganda porque acho que depois posso trabalhar como publicitária no meio do surfe." Assim como Cláudia, Brigitte não sabe quando vai parar de surfar. "Enquanto eutiver vontade de brigar com essas meninas pelos títulos e puder ajudar o surfe a crescer, vou continuar. Não tenho uma data estipulada. Sou como uma ´Peter Pan´ do surfe", conclui.

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