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O futebol americano já possui duas grandes ligas esportivas no Brasil Reprodução

GESTÃO PROFISSIONAL CHEGA AO FUTEBOL AMERICANO NO BRASIL

Crescimento da NFL e profissionalismo da confederação são principais motivos para sucesso do esporte no País

Rafael Fiuza, O Estado de S. Paulo

10 de abril de 2015 | 07h30

O futebol americano sempre teve torcedores fanáticos espalhados pelo Brasil. Nos últimos anos, o sucesso entre o público tem alçado o esporte como possível nova sensação no País. Segundo pequisa do IBOPE Repucom, de 2013 para o ano passado a quantidade de fãs da modalidade triplicou, ao passar de 1,2% para 3,6% da população nacional, parcela que representa cerca de 3,3 milhões de interessados.

A história de outros esportes mostra que alguns fatores são determinantes para gerar o interesse do público e o futebol americano vem seguindo a lista rigorosamente: número mínimo de praticantes, gestão profissional na confederação brasileira, investimento público ou privado, atleta postulante a ídolo ou precursor na modalidade e paixão pela modalidade. Essa receita foi iniciada em 2011 e começa a colher frutos nos últimos meses.

De acordo com Guto Sousa, presidente da Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA), é necessário um crescimento sustentável para o esporte ser mantido no País e isso só será possível com algumas mudanças. "O esporte pode se tornar uma opção para o torcedor brasileiro, mas antes precisa fincar o seu espaço e isso só será possível com investimento na base e na formação de atletas, árbitros, técnicos e gestores", diz.

Se o crescimento acontece vagarosamente, os primeiros resultados já são visíveis desde que a gestão profissional da CBFA foi implantada. No começo do ano, pela primeira vez na história, a seleção brasileira de futebol americano garantiu vaga na Copa do Mundo do esporte, após derrotar a seleção do Panamá. O time será debutante no torneio que acontece em julho, em Ohio, nos Estados Unidos.

"Iremos participar de uma Copa do Mundo pela primeira vez, então é claro que temos de ter os pés no chão. Nossa grande expectativa é fazer jogos duros, e eventualmente conseguir estar numa semifinal, o que significa terminar em primeiro do nosso grupo na primeira fase (à frente da França, Austrália e Coreia do Sul)", deseja o dirigente na primeira oportunidade no torneio.

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Experiência internacional é diferencial para equipe

Presidente da CBFA contrata profissionais para aumentar esporte

Rafael Fiuza, O Estado de S. Paulo

10 de abril de 2015 | 07h30

Com uma vida tripla (diretor de uma escola de idiomas, presidente do clube João Pessoa Espectros e da CBFA), Guto Sousa sabe que precisa de profissionais experientes no mercado esportivo para dar continuidade ao projeto e por isso apostou em uma equipe com as principais referências da área. Sua convicção logo trouxe resultados.

Com o PhD em Administração com o foco em Marketing Esportivo, na FEA-USP e parte na Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, em fase final, o professor titular do mestrado em Gestão do Esporte na Universidade Nove de Julho, Fernando Fleury compreendeu que para entender o funcionamento dos esportes americanos era necessário vivenciá-los. Com a experiência na bagagem e um longo período nos Estados Unidos e Canadá, o diretor de marketing da CBFA garantiu o primeiro patrocínio da história da confederação, após acordo com a EWC Watches, sem valores revelados.

"Estamos trabalhando com uma visão de longo prazo. Apesar de reconhecermos a importância da conquista da vaga para a Copa do Mundo, nosso foco é em um projeto de quatro anos", afirmou o diretor que tem como principais objetivos aumentar  a base de fãs e de criar oportunidades para garantir o relacionamento dos patrocinadores com o público, além de fortalecer a imagem da seleção e do torneio de clubes.

Apesar do antigo envolvimento em esportes como na criação da proposta do Fair Play Financeiro para o Bom Senso FC e a consultoria na Arena Maracanã, Fleury acredita que o trabalho realizado com pesquisas pode ser um dos diferenciais na CBFA. Somente a partir disto, foi possível entender quem é o público-alvo, formado principalmente por jovens entre 24 e 30 anos e fanáticos pela NFL. 

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CBFA se inspira em outros esportes para alcançar objetivos

Rugby e o handebol feminino são exemplos de crescimento

Rafael Fiuza, O Estado de S. Paulo

10 de abril de 2015 | 07h30

Apesar de possuir duas grandes ligas esportivas nacionais (Campeonato Brasileiro, organizado pela CBFA e Touchdown, realizado de forma independente), o futebol americano no Brasil ainda busca inspiração em outros esportes coletivos amadores que conseguiram sucesso recente.

Enquanto o rugby ganhou grande espaço na mídia com uma agressiva campanha de marketing do patrocinador, o handebol feminino fez incursão na Europa para entender as principais táticas do esporte. O resultado foi o melhor possível: campeã mundial em 2013, contra o país-sede na final.

Os resultados serviram de exemplo para a CBFA, que espera trilhar um caminho parecido em breve, mas mantendo os jogadores no Brasil. "Infelizmente tudo o que envolve o futebol americano é superdimensionado, qualquer viagem precisa de uma delegação de 60, 70 pessoas, o que encarece muito os custos. O que faremos inicialmente é trazer profissionais para clínicas e treinamentos no País, e incentivar a ida de técnicos, jogadores e gestores para intercâmbios esportivos em equipes americanas", diz o presidente da confederação.

Diferentemente dos outros esportes coletivos onde os principais jogadores brasileiros que atuam fora do País estão com as seleções, no futebol americano esta possibilidade é pequena. "É muito difícil conseguir contar com um jogador ativo da NFL, pois o Mundial coincide com o início dos training camps deles", diz.

Apesar das condições adversas e histórico inexistente, o presidente espera conduzir o esporte para uma posição que jamais alcançou no Brasil. "Queremos contar a saga dessa geração pioneira que começou um esporte praticamente do zero há dez anos e conseguiu chegar a uma Copa do Mundo. Essa história e esses personagens trazem valores como perseverança, luta, crença, investimento e vitórias, que são importantes para qualquer marca hoje em dia, especialmente em momento de crise", afirma Guto.

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