Gigantes em campo

Jamais escondi que curto os estaduais, sobretudo o Paulista, que foi minha porta de entrada para o futebol. Só ando desapontado com o esvaziamento deles, que os leva a definhar, para tristeza de milhões de fãs. Para não ficar macambúzio, melhor deixar as disputas paroquiais de lado, como escrevi anteontem, e voltar a atenção para o Brasileiro. A Série A começou e para hoje estão previstos três clássicos da pesada, em que não faltam histórias e glórias: Grêmio x Corinthians, Palmeiras x Botafogo e Flu x São Paulo.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2011 | 00h00

Pra início de conversa, nesses duelos há 19 títulos da Série A (a partir de 1971 e sem contar os da unificação), três da Série B, 9 da Copa do Brasil (a versão criada em 1989), além de Libertadores, Mundiais e outras bossas. Para ser mais específico: Grêmio (2 Brasileiros, 1 Série B, 4 Copas do Brasil, 2 Libertadores, 1 Mundial), Corinthians (4 Brasileiros, 1 Série B, 3 Copas do Brasil), Palmeiras (4 Brasileiros, 1 Série B, 1 Copa do Brasil, 1 Libertadores), Botafogo (1 Brasileiro), Flu (2 Brasileiros, 1 Copa do Brasil), São Paulo (6 Brasileiros, 3 Libertadores, 3 Mundiais). Currículos de tirar o chapéu.

Essa constelação, porém, não mascara a apreensão provocada por frustrações surgidas na atual temporada. O sexteto tem episódios a lamentar, nos pouco mais de quatro meses de compromissos oficiais, e usam o Brasileiro como a forma de ainda tornar 2011 vitorioso. Vários desses figurões nacionais largam na elite já pressionados e sob desconfiança das respectivas torcidas. A roda-viva do joguinho de bola é implacável.

Palmeiras e Botafogo fazem parte do bloco dos que entram em campo sob suspeita. O time de Felipão vive numa gangorra danada, e não é de agora. Vira e mexe ameaça deslanchar, anima sua gente e, na hora H, desanda a fazer bobagem. O palestrino vive de pequenas ilusões e enormes decepções. Em 2010, o time derrapou no Brasileiro, mas compensou na Sul-Americana. Quando esteve perto da final, caiu diante do Goiás. Neste ano, surpreendeu no Paulista, com campanha acima do esperado, até parar na semifinal com o Corinthians. Na Copa do Brasil, ia bem até a surra para o Coritiba.

O Palmeiras luta para afastar a imagem de grande time, mas do passado. Virou coadjuvante, por mais que seja constatação triste, e o desafio é o de retomar lugar de protagonista. Sina semelhante à do Botafogo, de muita tradição, berço de craques, só que faz tempo que exerce papéis secundários, exceto conquistas esporádicas no Rio. Já passou por mudança de comando (saiu Joel Santana e chegou Caio Júnior) e tenta recuperar-se de campanhas apagadas no Estadual e na Copa do Brasil. Os dois clubes têm elencos de qualidade mediana e despontam como incógnitas.

Flu e São Paulo podem, teoricamente, sustentar expectativas mais ousadas. O atual campeão brasileiro só não foi fiasco total na Libertadores porque conseguiu classificar-se de maneira heroica, em cima da hora, na fase de grupos. Caiu na etapa seguinte. O elenco de 2010 foi mantido em boa parte, mas turbulências internas influíram no desempenho em campo. A diretoria rachou, Muricy pegou o boné, Emerson foi dispensado, Deco criticou meio mundo, Conca não retomou o ritmo de antes. Com tudo isso, tem potencial para fazer bom papel.

O São Paulo tem um dos grupos mais versáteis da elite. Não é nada excepcional, porém permite a um treinador fazer inúmeras composições. Paulo César Carpegiani modificou demais, até quebrar a cara na Copa do Brasil, e por pouco não foi demitido. Dá para confiar na capacidade de Rogério Ceni, Jean, Casemiro, Lucas, Dagoberto e Luis Fabiano.

O Grêmio e o Corinthians têm a Libertadores e os Estaduais como pedras no sapato. Os paulistas demoraram para recuperar-se da eliminação para o Tolima, na fase preliminar, naquela que foi uma de suas maiores humilhações e antecipou até a aposentadoria de Ronaldo. Os gaúchos avançaram para as oitavas, só que negaram fogo duas vezes contra a Universidad Catolica. A queda colocou em xeque o trabalho de jogadores e do técnico Renato Gaúcho. Também perderam o título em seus respectivos estados.

Para os dois, resta o Campeonato Brasileiro como prova de grandeza, de recuperação e, por extensão, o retorno à Libertadores. A propósito: não demora muito e começa a chatice de se falar mais em vaga para a bendita Libertadores do que em título brasileiro. Mas esse é assunto para crônicas que virão adiante...

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