Ginasta brasileira compete pela Bélgica

Aos quatro meses de idade, Ana Maria Pereira da Silva deixou a cidade de Poção das Pedras, na periferia de São Luis, no Maranhão, para se tornar na Bélgica Aagie Maria Van Walleghem. Adotada por uma professora belga, Hylde Walleghem, quem observa a atleta hoje aos 16 anos, treinando para a terceira etapa da Copa do Mundo de Ginástica, no centro de convenções no Riocentro, em Jacarepaguá, não imagina estar diante de uma "legítima" brasileira, que de seu País de origem conservou apenas o nome de batismo. Aagie não possui dupla nacionalidade e na Bélgica convive com mais dois irmãos etíopes também adotados. "No Brasil conheço apenas São Luis, Cuiabá, Foz do Iguaçu, São Paulo e Rio de Janeiro", contou Aagie. Ela destacou que o forte calor carioca a está incomodando, principalmente, porque em sua cidade, Wevelgen, ao sul do país, a temperatura é de cerca de 5ºC. Apesar de não manter contato com sua família brasileira, "por não saber se comunicar em português", aos oito anos Aagie foi apresentada à mãe, Maria do Carmo, e ao casal de irmãos biológicos. O pai é desconhecido. Atualmente, seus parentes do Brasil moram na capital Federal e sua mãe adotiva auxilia a todos com contribuições financeiras. "Não saber a minha origem poderia ser prejudicial para mim no futuro", frisou Aagie, demonstrando maturidade e conversando naturalmente sobre a adoção. Ao conhecer seus parentes, sua mãe biológica sobrevivia quebrando cocos no Maranhão. Pela segunda vez no Brasil, Aagie está acompanhada apenas por seu técnico, o holandês Gerrit Beltman, com quem trabalha há quatro anos. E por causa de uma contusão no pé esquerdo, ela competirá somente nas provas de salto e barras assimétricas, durante a Copa do Mundo. Após assegurar uma vaga nos Jogos Olímpicos de Atenas para a Bélgica, a ginasta, que terminou em 5º lugar no salto, na primeira etapa da Copa do Mundo, na França, precisa figurar novamente entre as oito melhores do ranking para que o comitê olímpico do seu país, a mande para a competição grega. E esta é a razão de ela vir, mesmo contundida, participar da disputa brasileira. Indagada se gostaria de competir defendendo o Brasil, a resposta de Aagie foi simples: "sim". E se dependesse do aval da supervisora técnica da seleção, Eliane Martins, a ginasta belga já estaria na equipe. "Ela se encaixaria perfeitamente no nosso time", afirmou.

Agencia Estado,

30 de março de 2004 | 18h14

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