Ginastas do País encaram 2 desafios

Quatro brasileiras viajaram para o Mundial Individual de Ginástica Rítmica Desportiva, a GRD, que começou nesta sexta-feira em Madri, na Espanha: a gaúcha Liane Ermes, a sergipana Iracema Alves e a catarinense Roberta Eich, todas de 16 anos, mais a paulista Fernanda Cavalieri, de 15. Além do desafio da disputa, as garotas tiveram de viajar com autorização especial dos pais - um termo de responsabilidade, por causa dos ataques terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos. Por causa do clima de insegurança, sete países desistiram de enviar representantes: além dos Estados Unidos, Japão, México, Cuba, Tailândia, Arzeibaijão e Uzbequistão. Competem 160 ginastas de 43 países, com destaque para as russas, dentre elas Alina Kabaeva, atual campeã mundial que defende neste sábado o seu título individual.As famílias das ginastas brasileiras se comprometeram a fornecer ajuda financeira em caso de emergência. Se não puderem embarcar de volta, por exemplo, as despesas serão por conta própria depois do prazo previsto inicialmente pela Confederação Brasileira de Ginástica. "Não temos como pagar essa despesa extra", afirmou Eliane Martins, presidente do Comitê Técnico da CBG. "Essa é uma situação sobre a qual não temos controle. Mas felizmente os pais foram a favor da viagem."Olímpica - No domingo ainda viajam 13 garotas para o Mundial de Ginástica Olímpica que começará na outra sexta-feira, em Ghent, na Bélgica. Vicélia Florenzano, presidente da CBG, está otimista em relação à última edição da competição, há dois anos na China. "Lá, as meninas terminaram em 18º lugar por equipes. Pelo trabalho que estamos realizando, acredito que possam chegar a 12º, o que seria histórico. No masculino, também é possível e provável melhorar da 30ª posição."O otimismo de Vicélia é baseado no desempenho dos atletas no último Pan-Americano da modalidade, quando as moças conquistaram a prata por equipes. "A Daiane dos Santos ficou com o bronze no salto e ouro no solo. A Daniele Hypólito conquistou o bronze nas paralelas e a Camila Comin, bronze na trave. No masculino, o melhor foi Michel Conceição, que foi ouro no solo."Para Vicélia, a ginástica brasileira evoluiu nos últimos dois anos. "Antes a gente se encontrava no aeroporto, distribuía os uniformes e agasalhos lá mesmo. Os atletas nem se relacionavam. Hoje muita coisa mudou, mas ainda está longe do ideal. O ideal é que o atleta não pague nada, o que ainda não aconteceu dessa vez."A presidente contou que o Ministério do Esporte e Turismo direcionou R$ 112 mil, dos quais 15% a Confederação tem de cobrir, para o Mundial na Bélgica. A delegação brasileira contará com 24 membros - 13 atletas, três treinadores, quatro árbitros, dois supervisores, um médico e um chefe de delegação. "A viagem é cara porque é longa. Os atletas ficarão 14 dias lá - chegam dois dias antes dos treinos oficiais, como é solicitado."

Agencia Estado,

19 de outubro de 2001 | 22h29

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