Reprodução/Instagram
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Ginastas vão se explicar no STJD sobre vídeo com piadas racistas

Atletas já estão fora do Sul-Americano de Cali, na Colômbia

RONALD LINCOLN JR., O Estado de S. Paulo

22 de maio de 2015 | 07h05

Os ginastas Arthur Nory, Fellipe Arakawa e Henrique Flores, que ofenderam com injúrias raciais o companheiro de seleção brasileira Ângelo Assumpção, foram convocados pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) da modalidade para dar explicações. Eles serão ouvidos na terça-feira, assim como Assumpção. A partir dos depoimentos, o órgão vai decidir se serão ou não denunciados. Os três já estão suspensos por 30 dias pela Confederação Brasileira de Ginástica (CBG).

Os atletas foram punidos pela Confederação com base em um vídeo em que ironizam Assumpção com piadas racistas. O vídeo publicado na rede social Snapchat e divulgado pelo jornal O Globo provocou indignação. Com a repercussão negativa, eles alegaram ter feito apenas uma "brincadeira" com o colega, o mais novo do grupo - tem 18 anos.

Mas os autores das "ironias" acabaram afastados da seleção brasileira e de competições nacionais e internacionais por 30 dias. Também tiveram suspensas as bolsas esportivos e que recebem. Agora, Henrique (24 anos), Arthur (21) e Fellipe (21) poderão se encrencar também no STJD. Por enquanto, o órgão está fazendo uma investigação preliminar. "Os supostos infratores serão ouvidos, mas não como acusados", afirmou a presidente do STJD, Renata Quadros.

Ao fim do inquérito, caso se considere que houve uma infração disciplinar, eles serão denunciados e, em seguida, julgados. Se houver denúncia, uma das hipóteses é que os ginastas sejam enquadrados no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que trata de atos discriminatórios. A pena prevista é de multa e suspensão.

No entanto, o caso não ocorreu durante uma competição. Por isso, é provável que, se entender que Arthur, Fellipe e Henrique merecem alguma penalização o STJD, ao invés de aplicá-la automaticamente, comunique à CBG o que deverá ser feito. Assim, caberá à Confederação a iniciativa de aplicar a punição.

REAÇÃO

Presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e do Comitê Rio-2016, Carlos Arthur Nuzman foi veemente ao condenar a atitude dos ginastas com o colega de equipe. "O racismo fere todos os valores olímpicos. Sou radicalmente contra. Tem de ser tomada alguma atitude porque isso não pode ficar em branco. Isso não pode ser levado nem como brincadeira. Nós não podemos admitir isso aqui, principalmente às vésperas dos Jogos Olímpicos", destacou. "Espero que sejam tomadas medidas adequadas, como me parece que a Confederação Brasileira de Ginástica está tomando".

Com a suspensão de 30 dias, Arthur Nory, atleta do Pinheiros-SP (mesmo clube de Ângelo Assumpção), Henrique Flores, do São Caetano-SP, e Fellipe Arakawa, do Minas Tênis Clube-MG, não poderão participar do Sul-Americano de Cali, na Colômbia, de 16 a 22 de junho.

Mas em tese estarão aptos a disputar os Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá. A competição de ginástica será entre 10 a 15 de julho. Isso se não tiverem a pena agravada e se forem convocados para a seleção que representará o País.

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