Ginástica rítmica renovada em Atenas

São pelo menos duas horas para as garotas da ginástica rítmica se arrumarem, o dobro da ginástica artística. O aprumo é tamanho que apenas para a confecção dos maiôs das brasileiras foram oito meses da técnica Bárbara Laffranchi com sua costureira em Londrina, mais o trabalho de sete bordadeiras para as pedrarias. E, para mais leveza de movimentos, o que conta mais nota, as garotas são magras a ponto de as top models das passarelas parecerem gordas, como diz a própria treinadora, que inicia a competição nesta quinta-feira.É preciso muito apuro para se arrumar, porque o nível da apresentação tem de ser demasidamente harmonioso. "É um conjunto, com música, coreografia, roupa, cabelo. As roupas "contam a história" da performance e também estão adequadas à música - no caso do da apresentação de fita, o "Canta Brasil" com Gal Costa; no arco e bola, "O Desconhecido", de André Moraes.Na fita, diz a treinadora, o "sambão" mereceu maiôs de cores fortes, fosforescentes, em azul turquesa, verde, como uma "seleção canarinho". No arco e bola, com uma batida mais tribal, os maiôs das meninas como um cocar. Os bordados têm a ver com folhas. Bárbara é adepta da originalidade, aos lado dos muitos elementos com alto grau de dificuldade. Os movimentos originais ganham bônus. "Aumentam a nota e ainda encantam o público", diz a treinadora, que chegou a Atenas trabalhando apenas com a manutenção da performance de suas atletas, com o polimento. "Todas estão preocupadas em fazer muito bem o que treinaram. É desencanar da competição, não se abalar, curtir o que se está fazendo."Renovação - Um dos movimentos que trazem originalidade à performance, segundo a técnica, são quatro das meninas segurando suas fitas como um túnel, com a capitã Dayane Camilo lançando um fita pelo meio e correndo para buscar na outra ponta.À exceção de Dayane, com 27 anos, a equipe é mais nova que a da Olimpíada de Sydney/2000, lembra a treinadora. Uma faz 19 no sábado (Fernanda Cavalieri), são três com 17 (Ana Maria Maciel, Larissa Barata e Tayanne Mantovanelli, e uma com 15 (Jeniffer Oliveira). E também mais fácil de lidar com relação a comida, por exemplo. "Imagine que elas chegaram aqui e estão perdendo peso (as ginastas são pesadas todos os dias e controlam seus quilos religiosamente). Quanto mais perderem é melhor. Não é nem como na ginástica artística, que ainda têm músculos. Na ginástica rítmica, a perda de peso não tem limite."Bárbara diz para reparar - e a constatação é mesmo imediata. "As garotas da GRD são só pele e osso. Quanto mais magras, mais leveza de movimentos e ganha-se mais nota. Modelos de passarela são gordas, perto das meninas da ginástica rítmica. É de assustar."Para assustar um pouco menos, pelo menos quem não é familiarizado à modalidade, é bom explicar que as garotas tomam suplementos alimentares, complexos vitamínico-minerais e à noite, porque o efeito "é mais forte", segundo a treinadora. "A alimentação básica tem salada, carne magra, grelhada, ricota - temos uma deliciosa aqui na Vila Olímpica -, pão integral. Comem três vezes ao dia. Aqui na Vila não tem batata cozida, por exemplo. A comida está muito gordurosa. Não só para os ginastas, mas para outros esportistas, como a própria ginástica artística, o boxe..."

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