Ginástica: um grande salto em Atenas

A ginástica artística brasileira deu um salto considerável nesta Olimpíada de Atenas, a ponto de Daniele Hypólito ter considerado seu 12º lugar na final individual por aparelhos uma verdadeira medalha de ouro. O primeiro lugar mesmo foi da norte-americana Carly Patterson, que somou 38.387 pontos, com prata para a russa Svetlana Khorkina por seus 38.211 e bronze para a chinesa Nan Zhang, com 38.049, no Olympic Hall. Camila Camin também melhorou muito em relação aos Jogos de Sydney/2000, quando nem havia alcançado a final, para terminar agora em 16º lugar entre as 24 finalistas. Mas o ponto alto da noite mesmo foi Khorkina, a "princesa da ginástica", bicampeã olímpica hoje esquelética, deixando de lado sua majestade para humanamente anunciar o fim de sua carreira como atleta com os grandes olhos verdes brilhando, começando a ficar vermelhos: "Não é fácil para mim. Meu corpo é capaz de continuar, mas sinto que é hora de parar, pensar em ter uma família, filhos." Daniele conseguiu a melhor colocação brasileira da ginástica brasileira em Olimpíadas. Estava eufórica por seu desempenho - preferiu fazer o normal, aceitando também o conselho do técnico Oleg Ostapenko, sem adicionar movimentos para tentar aumentar nota. "Seria na saída das paralelas assimétricas, mas era o último aparelho..." Quanto à participação do País, afirmou: "Foi excelente, muito bonito dentro do que a gente podia fazer." Agora, o Brasil terá Daiane dos Santos no solo da final por aparelhos na segunda-feira.Terminada a participação de cinco das ginastas brasileiras, Daniele se espanta diante de uma pergunta sobre folga. "De jeito nenhum! Todas vamos treinar para apoiar a Daí. Vamos acompanhar a Daí até o ginásio, fazer a final com ela." Sobre torcida pela companheira de equipe, comentou: "A nossa é diferente. A gente vive junto. Vamos dar toda força para ela." Segundo Daniele, o que Daiane precisa mesmo é de paz: "Ele tem de estar tranqüila. Fazer o solo dela. Vocês sabem que se ela fizer isso vem medalha." Na entrevista oficial das medalhistas, a campeã Carly Patterson parecia diminuída ao lado de Khorkina. Respondeu que estava tão feliz que não sabia o que dizer, que havia trabalhado toda a vida por aquela medalha. Emocionada, não conseguiu continuar. A pergunta passou para a russa - que encerra uma geração de ginastas fabulosas, que acabaram não tendo continuidade de trabalho nos últimos dois ciclos olímpicos, com as mudanças em seu país. "Pois eu sei muito bem o que dizer: eu ainda sou campeã olímpica." Patterson sumiu na cadeira. Desfeitos os mal-entendidos, Khorkina explicou que nunca deixará de ser bicampeã olímpica - nada a ver com contestar o ouro da norte-americana. A chinesinha foi sábia, em relação a Pequim/2008. "Muita coisa muda em quatro anos. Só posso dizer que darei meu máximo para estar lá."

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