Goiás perde título e Grêmio vai à Libertadores

Equipe cai diante do argentino Independiente nos pênaltis e deixa para os gaúchos a vaga na competição continental

Fábio Hecico, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2010 | 00h00

O ano de 2010 é para ser esquecido pelo torcedor do Goiás. Fracasso no Estadual, queda precoce na Copa do Brasil, rebaixamento no Brasileiro e, no último ato do ano, após uma vantagem de 2 a 0 do jogo de ida, choro e a perda do título da Copa Sul-Americana para o Independiente. Após batalha de 120 minutos, na qual esteve melhor, mas perdeu por 3 a 1, a equipe lamentou não valer o gol fora de casa e, na disputa por pênaltis, foi batida por 5 a 3. Além dos argentinos, quem comemora a derrota esmeraldina são os gremistas, que verão sua equipe na repescagem da Libertadores (pegam o Liverpool, do Uruguai, e os flamenguistas, com vaga na Sul-Americana de 2011. Foi uma pena. Valente, brigador, guerreiro, os goianos mereciam melhor sorte.

Depois de fazer um segundo tempo bem superior aos rivais e também ser superior na prorrogação, o time errou uma cobrança de pênalti, com Felipe (acertou a trave direita) e viu os argentinos acertarem todas.

"Temos de levantar a cabeça, ter hombridade, mandamos no jogo, mas não fizemos o gol. Voltaremos totalmente frustrados", lamentou o zagueiro Marcão, à Band. "Um baque enorme pelo que a gente passou no ano. É difícil, a gente precisava desse título para dar uma aliviada", prosseguiu Rafael Moura.

Ciente da necessidade de conquistas de sua equipe, uma das maiores da América do Sul, mas que não vem bem nos últimos anos, os argentinos fizeram uma festa de dar inveja às grandes torcidas do mundo. Lotaram o estádio Libertadores da América, em Avellaneda e, na entrada do time em campo, iluminaram as arquibancadas com sinalizadores vermelhos, cor da equipe (curiosamente, ontem toda de azul). O papel picado deixou o clima de decisão ainda mais belo. E a cantoria apenas inflamou ainda mais os já ligados jogadores.

Do outro lado, em menor número - 800 pessoas - mas não menos empolgados, os esmeraldinos também empurravam sua equipe à maior conquista de sua história. "Soy loco por time América" e "Goiás, amor sem divisão e sem distância", traziam algumas das faixas. O grito de "time guerreiro", dava o tom da torcida.

O lado verde da arquibancada viu sua equipe começar bem, administrando a posse de bola e arriscando alguns contragolpes. Fazer o tempo passar era uma das estratégias de Artur Neto para enervar os donos da casa.

O Goiás parecia estar no Serra Dourada. Se a pressão das arquibancadas era grande, dentro de campo o Independiente sofria para chegar ao gol de Harlei. O jeito, então, era apostar nas jogadas ensaiadas em cobranças de falta. E, numa delas, aos 19 minutos, o cruzamento chegou no peito de Matheu, que dominou e chutou forte. Harlei fez milagre, mas o rebote sobrou para Velásquez, livre, abrir o marcador.

O Goiás, que chegou à decisão como melhor visitante, calou os argentinos três minutos depois, com seu super-herói. Wellington Saci cruzou para o He-Man Rafael Moura empatar, de cabeça. Metade do primeiro tempo já disputada e o placar igual.

Com argentino, porém, não pode dar bobeira. Eles não desistem nunca. Aos 26 minutos, num lance que teoricamente não levaria perigo, Ernando tentou cortar e chutou em cima de Parra. A bola castigou e acabou no fundo das redes. O mesmo Parra poria fim à vantagem goiano dos 2 a 0 do Serra Dourada aos 34. Caído, acertou o canto de Harlei, que nada pôde fazer.

"Temos de ter calma, jogar bola", pediu Rafael Moura, no intervalo. O time ouviu. E, com valentia, partiu para cima do Independiente. O próprio atacante teve quatro belas chances, uma após deixar dois marcadores no chão e chutar em cima do goleiro, que defenderia fácil outras duas finalizações. No fim, ele chutou na rede pelo lado de fora. Os argentinos que tanto cantaram, se calaram até o fim do tempo normal com tamanho ímpeto brasileiro.

Veio a prorrogação e o temor de ambos os lados em levar um gol, que seria fatal. Mesmo assim, com o Goiás mais a fim de ser campeão. Rafael Tolói acertou uma bola na trave e o também zagueiro Marcão teve um gol anulado. Estava impedido.

A batalha acabou nos pênaltis. Com festa argentina.

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