Goleada épica e título consagram geração de Neymar

Astro santista comanda a seleção na conquista da vaga para Londres 2012 e da taça nos incríveis 6 a 0 sobre o Uruguai

Wagner Vilaron ENVIADO ESPECIAL/AREQUIPA, PERU, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2011 | 00h00

O Sul-Americano Sub-20 marcou a despedida de Neymar da "adolescência futebolística". E consagrou sua geração, que, além do brilhantismo do santista, contou com atuação destacada de outros atletas, como os são-paulinos Lucas e Casemiro. O gran finale do time comandado por Ney Franco ocorreu na madrugada de ontem (de Brasília), em Arequipa: show contra o Uruguai, goleada por 6 a 0, classificação para a Olimpíada de Londres 2012 e o título da competição.

No Peru, Neymar disputou seu último torneio de categoria de base. O plano de Mano Menezes é claro. Daqui para frente, o atacante santista deve se firmar como atleta da seleção principal. E o recado já foi dado a Ney Franco. No meio do ano, caso não ocorram imprevistos, Neymar defenderá o País na Copa América da Argentina e não no Mundial da categoria, na Colômbia.

O amadurecimento do jogador chamou a atenção de toda a comissão técnica durante os dois meses de convívio, que começou no dia 13 de dezembro, na Granja Comary, em Teresópolis, e terminou com os incríveis 6 a 0 sobre o Uruguai - Neymar fez 3, Lucas marcou 3 e o lateral santista Danilo também anotou 1.

Além da vaga olímpica, o resultado garantiu também o título. Neymar não só conquistou o posto de principal estrela do torneio como deixou o Peru com um feito histórico no currículo. Ao marcar 9 gols, transformou-se no maior artilheiro da história do Sul-Americano.

Neymar se juntou ao grupo cercado de desconfiança. A briga com o então técnico do Santos Dorival Júnior, no ano passado, fazia pairar sobre sua cabeça uma nuvem carregada. "Logo no início do trabalho chamei os jogadores com espírito de liderança, como o Bruno Uvini, que me ajudou muito, e o Casemiro. Expliquei para eles que o Neymar centralizaria as atenções e que todos deveriam estar preparados para lidar com essa situação", contou Ney Franco. "A reação foi a melhor possível. Passamos 60 dias junto e sem problemas."

A estrela do time, por sua vez, compreendeu as orientações do treinador e administrou bem o assédio. "Esse aspecto foi importante. O Neymar não transformou o oba-oba em cima dele em algo negativo, como ficar mascarado", observou o treinador. "Ele transformou isso em liderança. Em nenhum momento se comportou como alguém que se sente diferente."

Neymar declarou que, para ele, a vitoriosa campanha no Peru foi apenas parte do projeto olímpico. "Meu sonho é disputar a Olimpíada. Quero estar em Londres no ano que vem", afirmou. O inédito ouro olímpico parece cada vez mais perto.

O único detalhe que Neymar lamentou foi não ter tido o tempo necessário para curtir a classificação ao lado de seus companheiros e amigos. Ontem pela manhã, poucas horas depois da vitória sobre os uruguaios, o craque, acompanhado pelo pai e pelos outros três atletas do Santos (Danilo, Alan Patrick e Alex Sandro), embarcou para a Venezuela, onde se junta à delegação alvinegra. Na quarta-feira os santistas estreiam na Libertadores, contra o Deportivo Táchira. "Não tivemos férias, pois logo que acabou o Brasileiro nos apresentamos à seleção", lembrou Danilo. "Mas agora não é hora de reclamar disso. Estamos em um momento de afirmação de nossas carreiras e, por mim, jogo o máximo que puder. Enquanto estiver aguentando, quero jogar."

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