Goleada tem poder

Bruno Uvini fez seu primeiro jogo como titular do São Paulo no dia 26 de junho do ano passado, no clássico contra o Corinthians pelo primeiro turno do Brasileirão. O segundo tempo trágico, responsável pela goleada corintiana por 5 x 0, representou a última escalação do zagueiro até 23 de maio deste ano, empate por 2 x 2 com o Goiás pela Copa do Brasil. Três rodadas depois, o São Paulo perdeu por 1 x 0 para o Flamengo, no Rio, e o técnico Paulo César Carpegiani caiu.

Paulo Vinícius Coelho, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2012 | 03h03

É impossível dizer que Uvini só voltou a ser titular do São Paulo uma única outra vez, 11 meses depois da goleada. Ou que Carpegiani caiu por causa dela, especialmente porque quase foi dispensado na eliminação da Copa do Brasil contra o Avaí. Mas aquele resultado tem peso para Uvini, Carpegiani e para uma legião de torcedores são-paulinos. Não importa o 0 x 0 do segundo turno, a derrota magra por 1 x 0 no Paulistão, gol de Danilo. Aquele 5 x 0 está na garganta. Até a próxima goleada.

Pela situação do São Paulo e do Corinthians hoje, a missão essencial para Ney Franco hoje é evitar a derrota. Tirar a pressão. Em segundo lugar, ganhar o jogo, o que lhe daria fôlego para seguir com seu trabalho, aprimorar o meio de campo, razão maior do aumento do número de seus fios de cabelo branco.

Tite se preocupa com questões semelhantes, depois da derrota no clássico passado. Mas o Corinthians venceu oito, empatou um e perdeu um dos últimos dez encontros com os tricolores.

Essa sequência cria vilões no Morumbi e heróis no Parque São Jorge. Danilo fez dois gols e foi o melhor em campo duas vezes nessas três partidas.

A goleada tem poder.

De costas. O craque Bussunda costumava dizer que sua adolescência foi um período marcado por uma ausência: "Para onde eu olhava, tinha um botafoguense com seis dedos levantados", escreveu, referindo-se às marcas da goleada por 6 x 0 sofrida pelo seu Flamengo para o Botafogo, em 1972.

A vida mudou apenas quando o Flamengo meteu 6 x 0, nove anos depois.

De 2008 para cá, o Cruzeiro goleou o Atlético-MG por 5 x 0 duas vezes e por 6 x 1 no jogo contra o rebaixamento, em dezembro do ano passado.

O Galo tem na memória o 4 x 0, Fábio de costas, na final do Campeonato Mineiro de 2007. Aquele clássico fez como vítima o técnico cruzeirense Paulo Autuori.

Diferente da maior parte das grandes goleadas sofridas para rivais diretos, aqueles 6 x 1 não fizeram vítima. Saíram Daniel Carvalho e André, todos os outros são campeões do primeiro turno. "Aprendemos que não adianta vitimar ninguém", diz o presidente Alexandre Kalil. "Mas aquilo foi doído demais e considero uma virada de página na história do Atlético."

Goleadas sempre deixaram marcas, mesmo as invisíveis. Em 1984, o Cruzeiro saiu de um período de vacas magérrimas, seis campeonatos estaduais seguidos do Atlético, vencendo o primeiro jogo das finais por 4 x 0. Era o time de Palhinha, Carlos Alberto Seixas e Joãozinho. O Atlético demorou para digerir.

A sequência de humilhações do Cruzeiro em direção ao seu maior rival também deixa feridas que o título antecipado do primeiro turno ainda não fechou. Talvez, nem o título brasileiro cicatrize.

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