Goleadas levam Santos atual a ser comparado com o time de Pelé

Opiniões se dividem: Pepe vê semelhanças. Coutinho diz que diferença entre as equipes é grande

Sanches Filho, O Estadao de S.Paulo

23 de março de 2010 | 00h00

ESPECIAL PARA O ESTADO

SANTOS

As goleadas incríveis, as grandes jogadas e o desempenho bem acima da média têm causado comparações entre o Santos de agora e o esquadrão dos anos 60. Os placares expressivos vêm se tornando rotina: 4 a 0 contra o Rio Branco, 5 a 0 no Grêmio Prudente, 6 a 3 diante do Bragantino, 10 a 0 em cima do Naviraiense, 4 a 0 no Remo e 9 a 1 sobre o Ituano.

O time, como todos atualmente, deverá ficar pouco tempo junto e certamente não ganhará os títulos que conquistou aquele ataque com Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Mas já merece comentários elogiosos e comparações até mesmo de quem brilhou naquela época.

Pepe marcou 405 gols em 750 jogos, é o maior artilheiro santista depois de Pelé e um dos grandes jogadores da história do clube. Ganhou Paulista, Libertadores, Mundial, entre muitos outros títulos. Mas nem por isso deixa de se encantar com a equipe atual. "Existem semelhanças entre os dois times", diz. "Na década de 60, o Santos tinha um esquadrão, com o ataque bem superior à defesa. Era comum a gente ganhar por 7 a 4, 8 a 6, e é mais ou menos o que está acontecendo com a equipe atual", comenta. "Esse time tem uma meninada boa e fica até difícil dizer qual deles é o melhor. Num dia acho que é o Neymar, no outro fico impressionado com o Ganso."

Até quando perde, o novo Santos sai de campo aplaudido pela torcida em razão de sua incomum força ofensiva. Já são 60 gols em 18 jogos, média de 3,33, já superior aos 3,32 que o clube alcançou na temporada de 1962, quando conquistou o Paulista, a Taça Brasil, a Libertadores e o Mundial. Há outras semelhanças: no maior Santos da história, quando Pelé não podia jogar, Coutinho, Pepe, Mengálvio e Dorval se encarregavam de levar o time a vitórias por goleadas. E foi assim no domingo: André, Paulo Henrique e Madson brilharam contra o Ituano, compensando a ausência dos maiores astros, Neymar e Robinho.

Pelé animado. O Rei vê com entusiasmo o surgimento desse novo Santos, de talentos e vocação ofensiva. "Estou animado, o time é ótimo e tem bons jogadores. Um exemplo é Neymar, que bate até melhor na bola do que Robinho quando tinha a idade dele'', analisa.

Pelé prefere, no entanto, não fazer comparações com outros times fortes da história santista. Apenas destaca que a equipe atual pode até golear, mas não tem um jogador que faça oito gols numa única partida, como ele, na vitória por 11 a 0 contra o Botafogo, de Ribeirão Preto, no dia 21 de novembro de 1964, na Vila Belmiro.

Coutinho não tem a mesma visão de seus ex-companheiros de ataque. Chega a ficar irritado com as comparações. "Não tem nada a ver. Quem viu, viu e, quem não viu, perdeu. Paciência'', afirma, referindo-se ao ataque do qual fez parte. "Torço para que tudo dê certo, gosto do Santos, mas não vejo mais futebol", arrematou o ex-goleador. Coutinho afirma que a sua indiferença não tem fundo de mágoa. "Como eu poderia ter mágoa do futebol, se tudo o que tenho na vida foi ele quem me deu?"

O Santos, líder do Campeonato Paulista, com 35 pontos, garante classificação antecipada à semifinal na quinta-feira, se vencer o Botafogo, em Ribeirão.

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