Reprodução
Reprodução

Goleiro da seleção de polo aquático é acusado de abuso sexual

Thye Bezerra Matos, 27 anos, é investigado pela polícia do Canadá

Nathalia Garcia e Paulo Favero / Enviados especiais a Toronto, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2015 | 14h09

O goleiro da seleção brasileira de polo aquático, Thye Bezerra Matos, de 27 anos, é investigado pela polícia de Toronto por abuso sexual, informou a insperatora-chefe de crimes sexuais, Joanna Beaven-Desjardins, na tarde desta sexta-feira, em entrevista oficial em Toronto. O jogador brasileiro que disputou os Jogos de Pan-Americano teria assediado uma garota canadense de 22 anos no dia 16 de julho, quanto a delegação do polo estava na cidade. O nome da vítima não foi revelado. A polícia disse ter 100% de certeza de que foi Thye. E até divulgou sua foto no site oficial da corporação.

A vítima fez uma denúncia à polícia, que não informou maiores detalhes sobre o caso, a pedido da família. De acordo com a inspetora-chefe Joanna Beaven-Desjardins, Thye entrou na casa da garota sem ser convidado e foi até o seu quarto. Ele estava acompanhado de um amigo. Nenhum deles usava uniforme da delegação brasileira.

"A vítima foi dormir, o senhor Bezerra entrou no quarto dela e a abusou sexualmente. Ele e o amigo deixaram a residência. O senhor Bezerra estava no Canadá no período entre 3 de julho a 16 de julho, na região central, competiu em Markham pelo time brasileiro de polo aquático. Se alguém tiver qualquer informação sobre o suspeito, por favor, entre em contato com a polícia de Toronto", disse a policial.

O abuso, de acordo com polícia, aconteceu na manhã do dia 16 na casa da garota. A Polícia de Toronto trata o caso como sex assault (no Canadá, a legislação não diferencia estupro de abuso sexual). A pena máxima, de acordo com a legislação canadense, é de até 15 anos de detenção.

"É algo que vamos tratar como qualquer outra acusação de abuso sexual. Não há registro de nenhum outro caso nos Jogos", explicou a inspetora-chefe. A polícia de Toronto leva o caso a sério. Espalhou fotos do goleiro pela cidade. "Podem ter outras vítimas, ele passou duas semanas em Toronto. Por isso, a foto dele foi divulgada publicamente e, se alguém cruzou ou teve algum tipo de experiência com ele ou tem mais informações, entre em contato."

Thye já deixou o Canadá depois da participação do Brasil na competição. Ele está na Rússia com a delegação de polo para o Mundial de Esportes Aquático de Kazan. Poderá ser extraditado para o Canadá. A Justiça canadense trabalha para que Thye retorne a Toronto e responda a acusação imediatamente. "Daremos procedimento ao processo, temos os melhores investigadores da América do Norte envolvidos no caso, coletamos todas as evidências exigidas e ao mesmo tempo trabalhamos para trazê-lo de volta para enfrentar as acusações. O melhor dos cenários é ele voltar a Toronto e encarar as acusações."

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) ainda não havia sido informado pela polícia canadense até a hora da entrevista da inspetora-chefe. "Não temos nenhuma informação até agora, então estamos aguardando que isso aconteça para nos manifestar", afirmou Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB). Há muita preocupação com a imagem do Brasil nesse episódio porque o País é anfitrião da Olimpíada de 2016. O COB deverá ouvir o atleta assim que receber a intimação oficial para sua apresentação à Polícia.

Depois de notificado, o COB tomou providências. "Depois que soubemos do caso, fizemos três ações: contatamos um advogado daqui de Toronto para preparar para qualquer necessidade, contatamos o consulado brasileiro e falamos com o Ricardo de Moura, chefe da delegação lá em Kazan, mas eles ainda não tinham qualquer informação". disse Marcus Vinícius Freire, superintendente do Comitê Olímpico do Brasil (COB).


Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.