Goleiro galã tenta evitar massacre

Goleiro galã tenta evitar massacre

Luiz Carlos tem 21 anos, 1,91 m e 84 quilos. É o queridinho das torcedoras do Monte Azul e soma 48 convocações para seleção

Anelso Paixão, O Estadao de S.Paulo

28 de março de 2010 | 00h00

O sonho encantado do Monte Azul na elite do futebol paulista caminha para o fim. O rebaixamento parece mais inevitável a cada rodada. Antes, porém, o time terá de se empenhar muito para evitar um pesadelo. Hoje, às 18h30, na Vila Belmiro, o objetivo é escapar de uma goleada histórica contra o empolgado Santos de Neymar, Paulo Henrique Ganso, André, Marquinhos e ainda sem Robinho. Missão que passa, principalmente, pelas mãos do jovem Luiz Carlos Oliveira de Bittencourt, 21 anos, 1,91 metro, 84 quilos.

O goleiro gaúcho, emprestado pelo Internacional, tem pinta de galã - é o preferido das torcedoras da pequena Monte Azul, a menor cidade com um time filiado à Federação Paulista de Futebol - e nada menos que 48 convocações para a seleção brasileira nas categorias de base. "Estive na seleção por três anos consecutivos, do sub-14 ao sub-17 e, na maioria das vezes, junto com o Felipe, hoje goleiro titular do Santos. Somos amigos e vivemos um longo período de viagens e competições internacionais, uma fase muito boa", orgulha-se.

Entre as conquistas, destaca a conquista do título sul-americano sub-17 na Venezuela como reserva de Felipe. Disputou ainda o Mundial sub-17, no Peru, no qual o Brasil terminou como vice-campeão.

Toda essa bagagem de convocações e o incondicional apoio feminino serão fundamentais para ajudar o garoto a evitar um massacre hoje na Vila Belmiro. "A vida de um jogador de futebol é feita de desafios e um destes serve como motivação ainda maior. Sou jovem, mas nunca tive medo de nada e muito menos de encarar uma partida assim", afirma o goleiro.

Apesar do otimismo, admite as qualidades do adversário de hoje. "É até difícil dizer qual jogador do Santos é mais perigoso. Precisamos atenção especial com todos. Cada um tem seu estilo, mas todos são muito habilidosos e não podemos dar espaço. O Santos é, sem dúvida, um grande time."

Queridinho da torcida. Depois de começar como reserva de Thiago Cardoso no Campeonato Paulista e de entrar no time após a contusão do titular, Luiz Carlos participou de 12 partidas no Estadual, entra elas os duelos contra o São Paulo (derrota por 5 a 1) e Palmeiras (derrota por 1 a 0).

Viveu, então, um momento inusitado: transformou-se no queridinho das torcedoras de Monte Azul. "Foi algo diferente, porque no Inter, como eu era das categorias de base, nunca fui muito observado. Essas coisas só acontecem quando o jogador chega ao profissionalismo e a exposição é maior", explica. "Mas, para falar a verdade, fico sabendo desses comentários mais pelos outros jogadores do que por mim mesmo. Eles brincam comigo o tempo todo. Da minha parte, percebo que elas gritam meu nome, mas nada demais."

Terminado o Paulista, porém, Luiz Carlos já tem o destino selado. Volta para o Internacional e para os braços da namorada gaúcha, que o aguarda ansiosa. Espera só não levar na bagagem uma goleada histórica contra a nova geração dos Meninos da Vila.

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