Golfe, esporte para todas as idades

Wolf Hotte achava que o golfe era "um esporte de esnobes", antes de ser levado para um campo, pela primeira vez, aos 47 anos, quando mudou para Curitiba e apaixonou-se pela modalidade. Aos 85 anos, jogando como amador há 38, Hotte é a prova de que o golfe é "um esporte democrático", sem divisão de categorias por idade - o que separa os golfistas é o handicap de cada um, o índice que define a habilidade de cada jogador. Disputando o 3º Torneio Audi de Golfe, entre os amadores, no Alphaville Graciosa, no Paraná, Wolf está na mesma categoria do caçula Ricardo Abdala, de 11 anos, de jogadores com handicap entre 26 e 36 - o de Wolf é 36 e o de Ricardo 26. "O handicap equipara os jogadores." Descendente de alemães e suíços, ex-tenista, Wolf deve sua vitalidade, em grande parte, ao esporte. "Acho que 80% da saúde e disposição que tenho vem do golfe, que me faz caminhar quatro, cinco horas, quatro vezes por semana, em contato com a natureza. Os médicos não recomendam caminhar?" Outros hábitos de Wolf, que seguem paralelo ao golfe, são a jardinagem e o gim tônica. Além de jogar, gosta do "buraco 19", a conversa no clube, após o jogo disputado em um campo de 18 buracos. Wolf, vice-presidente da Associação Brasileira de Golfe Sênior, disputa torneios internacionais e acha que o esporte é praticado por pessoas mais idosas pela "sociabilização" que proporciona. Referências à sua idade feitas por outros golfistas são respondidas por ele com a frase "velho é a vovózinha". O vice-presidente do Alphaville Graciosa, Fernando Kastrup, separa o crescimento do golfe profissional e amador. Um esporte mais competitivo exigiria ter campos públicos para permitir o surgimento de mais jogadores e a presença em competições no exterior, como faz o mais promissor golfista nacional, Alexandre Rocha, de 23 anos, que tenta classificar-se para o tour dos Estados Unidos. Entre os amadores, além da "democracia e sociabilização", Kastrup acha que o crescimento também ocorre porque o golfe é um "esporte business", que abre caminho para negócios, em todo o mundo. Para Kastrup, o interesse da própria Audi em patrocinar um torneio Pro-Am (profissional e amador) - investiu cerca de R$ 200 mil e um carro A3 para quem fizer um hole-in-one (acertar o buraco em uma só tacada) - mostra isso. Profissionais - Guilherme Antunes, de 28 anos, quinto colocado no ranking da Confederação Brasileira de Golfe (CBG), ficou com o título no torneio profissional, disputado quinta-feira, e o prêmio de R$ 2,2 mil. Ele completou o circuito de 18 buracos, com oito tacadas abaixo do par. O gaúcho Guilherme, que planeja disputar qualificatórias para o norte-americano PGA Tour e o European Tour, trabalha para aperfeiçoar movimentos com filmagem de suas jogadas e análise em programa de computador.

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