Divulgação/CBG
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Golfe recebe investimentos e tenta melhorar performance de brasileiros

Aparelhos de analise vieram com dinheiro do Ministério do Esporte

Gustavo Zucchi, Especial para O Estado de S. Paulo

16 de março de 2016 | 10h00

Neste ano, o golfe retorna aos Jogos Olímpicos após mais de um século de ausência. Esteve em Paris, no ano de 1900 e em St. Louis, nos Estados Unidos, quatro anos depois. De  lá para cá muita coisa mudou na modalidade e essas alterações podem ajudar atletas brasileiros a conseguir maior destaque no esporte. Ainda longe de ser popular no País do Futebol, o golfe recebeu recentemente um investimento de R$ 3,1 milhões do Ministério do Esporte e conseguiu comprar dois sistemas de avaliação a fim de melhorar a performance e ajudar no crescimento da modalidade no Brasil.

Os dois aparelhos já estão sendo utilizados pelos principais atletas do País. Trata-se do Flight Scope X2 e Sam Putt Lab. Foram seis unidades adquiridas de cada modelo, comprados com parte do repasse estatal pela Confederação Brasileira de Golfe (CBG). Eles ajudarão técnicos e golfistas a entender com precisão científica os movimentos das jogadas e da bolinha e melhorar o desempenho.

O primeiro equipalento, que contém um radar Doppler capaz de medir variáveis como velocidade e altura e detalhar em imagens 3D os ângulos de ataque e aspectos como trajetória e voo da bola, funciona mostrando em imagens 3D como foram efetuados os movimentos na hora do "swing" (o golpe na bola). Com isso, eventuais erros podem ser identificados e corrigidos na hora. Já o Sam Putt Lab analisa o que acontece nos treinos no putting (campo para prática de tacadas curtas). Como um ultrassom, o aparelho analisa em câmera lenta o movimento e aponta características como duração, rotação, tempo de impacto, direção e percentual de consistência das jogadas.

"Antigamente, a gente trabalhava muito no achismo. mas hoje não tem mais isso. Com esses aparelhos, você tem o feedback na hora. Eu diria que seria mais ou menos o DNA  do "swing", coisas que não sabíamos antigamente e hoje sabemos. Outra coisa é que podemos comparar esses números com a performance de atletas renomados. Como por  exemplo a velocidade do taco do Tiger Woods. Então, a gente ainda pode melhorar nesses quesitos", explica diretor técnico da CBG, Nico Barcellos, um dos responsáveis pelos aparelhos na entidade.

Este tipo de auxílio nos treinamentos já é utilizado fora do País há algum tempo. Adilson da Silva, melhor brasileiro no ranking olímpico e provável representante do Brasil na competição do Rio, também o utiliza. "Acho que essa tecnologia ajuda o golfe. Você vai saber exatamente o que tem de trabalhar no swing. Isso ajuda, mas o jogador ainda vai precisar de um bom professor", explica. "A tecnologia fez diferença para mim, mas ainda tenho um professor para manter o olho no swing".

Os resultados já estão sendo colhidos. Mesmo sem grandes expectativas para o Rio 2016, Nico Barcellos afirma que já é possível perceber um aumento na performance entre os atletas que utilizam o aparelho. "Temos vários resultados bons. Temos o André Tourinho, o melhor amador brasileiro no ranking mundial, por exemplo. Ele é um produto desse investimento que estamos fazendo. Já no Aberto do Brasil do ano passado, Alexandre Rocha estava tendo uma fase muito ruim e quando fizemos sua análise, descobrimos os erros. Na hora de agradecer os prêmios, ele falou que se não fossem esses equipamentos 

ele não teria ganho a competição."

RESTRITO

Tanto o Flight Scope X2 quando o Sam Putt Lab, entretanto, não estão disponíveis para todos os atletas. Somente golfistas considerados de alta performance podem utilizar. O maior aliado para o desenvolvimento do esporte que virá com a Olimpíada será justamente o campo de golfe construído no Rio de Janeiro. "Teremos um excelente campo que vai ser público. Qualquer pessoa vai poder entrar e jogar. Eu sempre disse que o golfe não é caro, o que é caro é ser sócio de um clube", diz Nico Barcellos. "Acho que ainda temos uma caminhada grande, mas estamos no caminho certo (para desenvolver o golfe no Brasil). Acho que os clubes de golfe no Brasil também tem de fazer mais esforço para facilitar o acesso ao público. O jogo não e barato especialmente para os profissionais."

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