Governo cobrará resultados no Rio de Janeiro

COB receberá mais recursos para preparar atletas até 2016, mas, em retorno, terá de entregar mais medalhas

Alessandro Lucchetti e Jamil Chade, ENVIADOS ESPECIAIS/ LONDRES, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2012 | 03h06

Depois de destinar R$ 2 bilhões ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB) entre 2008 e 2012, o governo federal vai estabelecer um novo pacote, ainda maior, de incentivo para que a entidade possa garantir um melhor desempenho dos atletas brasileiros no quadro de medalhas dos Jogos de 2016, no Rio.

Só que, desta vez, a liberação dos recursos não virá de graça. O Palácio do Planalto, insatisfeito com o COB, cobra resultados e insiste que, quanto mais recursos públicos forem destinados aos esportistas, maior será a cobrança do governo e da sociedade por medalhas.

O valor do novo pacote será anunciado após os Jogos de Londres. Segundo o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, quem fará o anúncio será a presidente Dilma Rousseff, que desembarcou ontem em Londres.

Dilma se encontrou com o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, em sua residência oficial em Londres, na Downing Street. No início do encontro, ela elogiou a organização dos Jogos de Londres e disse ser esta "a melhor Olimpíada da história". O primeiro-ministro colocou-se à disposição para compartilhar o know-how com o Brasil para 2016.

Nesta sexta-feira, 26, Dilma assistirá à abertura dos Jogos e visitará atletas brasileiros.

Não é segredo que a relação é pouco confortável entre o COB e o governo, principalmente em termos de resultados. "Nosso desempenho em medalhas precisa ser compatível", disse Rebelo. A avaliação de Brasília é que o governo vem destinando um valor importante de recursos, sem ver grandes melhoras no quadro de medalhas.

Avanços tímidos. Entre 2008 e 2012, os diversos projetos do governo e as isenções fiscais representaram um apoio público ao COB no valor de mais de R$ 2 bilhões. Mesmo assim, o presidente da entidade, Carlos Arthur Nuzman, prevê que o desempenho do Brasil no quadro de medalhas neste ano será equivalente ao que o País obteve em 2008, em Pequim.

O Ministério do Esporte também admite um sentimento de insatisfação em relação ao COB. Há dois dias, o próprio Aldo Rebelo apontou que a meta estabelecida por Nuzman, de 15 medalhas, não seria suficiente. Rebelo quer 20. Ontem, ele voltou a colocar pressão.

"O Brasil preparou uma grande delegação e teve recursos a mais para se preparar. Vimos uma evolução importante nos recursos. Acreditamos que podemos esperar mais (do que em 2008)", disse Rebelo.

Sua pasta destinou, em quatro anos, mais de R$ 500 milhões para o COB. "Quanto mais dinheiro, maior a cobrança da sociedade, que cobrará do governo, e nós cobraremos resultados. Uma coisa tem de ser compatível com a outra", disse Rebelo.

Teste olímpico. Londres, segundo Rebelo, será um teste na relação entre o governo federal e o COB. Na capital inglesa, o COB e a prefeitura do Rio de Janeiro destinaram R$ 23 milhões para promoções na Casa Brasil, uma espécie de centro estabelecido durante os Jogos para promover o evento de 2016.

Hoje, o orçamento público do COB - de R$ 2 bilhões - é o dobro do orçamento do Comitê Olímpico Italiano, um dos mais tradicionais da Europa, por exemplo.

Questionado se considerava que os salários dos dirigentes esportivos no País eram compatíveis com os resultados, Rebelo foi claro: "Depende do resultado que obtiverem nesses Jogos".

"Adoraria ter cem medalhas. Mas nós estamos vendo isso dentro de uma realidade", afirmou Nuzman, explicando que a projeção de medalhas se baseia na pesquisa de vários dados que estabelecem a relação de forças entre todas as modalidades olímpicas.

O presidente do COB participou da 124.ª sessão do Comitê Olímpico Internacional (COI), que termina hoje.

Nuzman pondera que a estrutura brasileira para as Olimpíadas está defasada em relação à construída nas maiores potências esportivas do mundo. "Destaco que o Rio é a única cidade que foi escolhida como sede dos Jogos sem ter um centro de treinamento integrado de várias modalidades", declarou. (Colaborou Adriana Carranca)

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