Governo de Goiás quer seleção de novo antes da Copa

Marconi Perillo (PSDB) quer aproveitar bom relacionamento com presidente da CBF, José Maria Marin

ALMIR LEITE E SÍLVIO BARSETTI, Agência Estado

08 de junho de 2013 | 20h49

GOIÂNIA - Se depender da vontade do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e de seu bom relacionamento com o presidente da CBF, José Maria Marin, a passagem atual da seleção brasileira por Goiânia - esteve na cidade de segunda a sexta-feira e volta na próxima segunda à noite, depois de realizar amistoso contra a França em Porto Alegre - não será a última antes da Copa de 2014. Perillo está firmemente disposto a convencer Marin a trazer a seleção para Goiânia em algum momento da parte final da preparação para o Mundial.

Desta vez, no entanto, não vai ser fácil. Além de vários outras cidades e Estados que também cortejarem a seleção, a comissão técnica e a CBF já decidiram que a preparação para a Copa será feita na Granja Comary, em Teresópolis (RJ). Seria num período entre 17 e 20 dias, conforme já adiantou ao Estado o coordenador técnico da seleção, Carlos Alberto Parreira.

A concentração, aliás, está passando por profunda reforma, justamente para receber os jogadores no próximo ano. No setor de alojamento, estão sendo construídos novos quartos, a fim de que possam ser utilizados individualmente pelos atletas. Há mais de uma década, a grande reclamação deles com relação à Granja Comary referia-se à privacidade. Ronaldo chegou a falar disso mais de uma vez, quando ainda atuava pela seleção.

Marconi Perillo, no entanto, não se dá por vencido. No início da semana, ao participar da reinaguração da Serrinha, a sede social do Goiás que teve vestiários construídos e gramado reformado, entre outras obras, para receber a seleção, ele deixou claro isso. "Esperamos receber a seleção também na preparação para a Copa. Goiânia oferece toda a estrutura para isso", disse, ao lado de um sorridente - e político - Marin.

Mas, se não obtiver sucesso na tentativa de ter novamente a seleção num período pré-competição como agora, quando o técnico Felipão prepara a equipe para a Copa das Confederações, poderá ver seu plano realizado durante o próprio Mundial. Isso porque o terceiro jogo do Brasil pelo Grupo A será em Brasília, em 23 de junho de 2014, e como terá atuado seis dias antes em Fortaleza, a possibilidade de passar alguns dias treinando em Goiânia antes de encerrar a participação na primeira fase não pode ser descartada.

Outra aposta de Perillo, esta independentemente de conseguir ter ou não a seleção de volta em 2014, é trazer outras delegações para Goiânia por ocasião da Copa. Ele sustenta que a cidade tem bons locais para treinamento, como a Serrinha, o CT do Goiás e o do Atlético Goianiense, além de vários hotéis em condições de hospedar seleções, torcedores e a imprensa - alguns deles já são considerados pela Fifa locais oficiais de hospedagem.

E, na relação de CTs já aprovados pela entidade para 2014, levando-se em conta o pareamento hotel/local de treinamento, três são em Goiânia: Blue Tree Towers Goiânia/CT Urias Magalhães; Castros Park Hotel/Estádio Serra Dourada e Mercure Goiânia/Estádio Hailé Pinheiro (a Serrinha).

O governador, porém, pode ter dor de cabeça por conta de parte de seus planos para ligar Goiás à seleção brasileira e à Copa do Mundo. Ele deve ser investigado pelo procurador-geral do Estado, Lauro Machado Nogueira, por causa da alteração que conduziu no Programa Proesporte para permitir que o Goiás receba até R$ 2,4 milhões dos pouco mais de R$ 4 milhões que gastou com a reforma da Serrinha por meio de recursos públicos. Perillo sustenta que a alteração é um bem para o Estado que governa. "É um investimento para o Estado de Goiás, que se habilita a receber a seleção brasileira também na preparação para a Copa do Mundo e também outras seleções", disse ao Portal Estadão quando questionado sobre a investida encabeçada pelo Ministério Público contra a mudança no Proesporte.

Outra consequência dessa alteração que beneficiou o Goiás talvez seja menos indigesta. Rivais do Goiás, Atlético e Vila Nova se articulam para tentar receber recursos do programa para obras em seus centros de treinamentos e suas sedes.

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