Governo já quis concessão antes

Polêmico, o projeto de concessão do Maracanã à iniciativa privada não é inédito. O governo do Rio já tentou se livrar do estádio outras duas vezes, em 1995 e 1997. Mas, se agora o Estado acaba de gastar R$ 932 milhões para deixar o Maracanã novinho em folha antes de entregá-lo a um consórcio, há quase 20 anos exigia das empresas interessadas no estádio que elas fizessem a reforma. A última tentativa de concessão e a atual têm um ponto em comum: a demolição do estádio de atletismo Célio de Barros.

/ L.M. e T.R., O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2013 | 02h07

As primeiras tentativas foram no governo de Marcello Alencar (PSDB). "Se não for privatizado em dez anos, a solução (para o Maracanã) é botar bananas de dinamite e implodir tudo", disse ao Estado, em 1995, o então presidente da Superintendência de Desportos do Rio (Suderj), Raul Raposo. O governo exigiria do vencedor R$ 60 milhões (valor da época) para a modernização do estádio. Agora, o governo de Sérgio Cabral (PMDB) vai exigir pagamento mínimo de outorga de R$ 4,5 milhões por ano, além de R$ 594 milhões em obras no entorno do Maracanã, que incluem as demolições de Célio de Barros e Júlio Delamare. Segundo o estudo de viabilidade econômica do estádio, todo o investimento feito pela concessionária será recuperado em 12 anos. Depois, serão 23 anos de lucro.

A tentativa de 1995 sairia do papel no ano seguinte, mas a ideia de demolir o Célio de Barros para transformá-lo em um estacionamento gerou revolta. O então ministro do Esporte, Pelé, manifestou-se contra, fazendo coro a vários atletas. O Rio era candidato a receber os Jogos Olímpicos de 2004 e ficava feio demolir o único estádio de atletismo da cidade. O governo, então, decidiu cancelar a licitação. Alencar fez nova tentativa em 1998, de novo sem sucesso.

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