Coutinho, Diegues, Cordeiro/Divulgação
Coutinho, Diegues, Cordeiro/Divulgação

Governo tenta parceiro para Itaquerão

Pressionado, Estado negocia com empresas privadas para construção das arquibancadas móveis sem dinheiro público

PAULO FAVERO , VÍTOR MARQUES, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2012 | 03h06

Pressionado pela opinião pública, o Governo do Estado negocia com empresas privadas um projeto que viabilizará a construção de arquibancadas móveis do Itaquerão sem a necessidade de usar dinheiro público. A empresa, que seria uma patrocinadora, teria direito a explorar a marca em espaços públicos, como estações de trens, metrô e rodovias estaduais.

Essa foi a saída encontrada pelo Governo para solucionar um impasse que envolve R$ 70 milhões para que o estádio do Corinthians tenha sua capacidade ampliada de 48 mil para 68 mil pessoas e receba a partida de abertura da Copa de 2014.

A coluna Direto da Fonte, de Sonia Racy, publicou ontem que o Governo havia desistido de arcar com a despesa do aluguel das arquibancadas provisórias - depois do Mundial a capacidade do estádio será de 48 mil.

Por meio de um comunicado oficial, o Corinthians garante que o Governo manterá acordo firmado com o clube de bancar a estrutura móvel. Mas deixa a cargo do Governo decidir se o dinheiro virá dos cofres públicos ou da iniciativa privada.

"O Corinthians estará empenhado em apoiar a iniciativa, colaborando para fazer do empreendimento uma oportunidade atraente de exposição de marcas", informou a nota.

O Estado apurou que o Governo evita custear a obra com dinheiro público porque teme uma reação negativa de vários setores da sociedade em ano eleitoral, uma vez que o estádio do Corinthians já receberá dinheiro do BNDES e também da Prefeitura via isenção fiscal.

A melhor solução, portanto, seria encontrar um parceiro na iniciativa privada que custeie a obra em troca de exposição da marca, que estaria atrelada ao estádio que vai receber a abertura da Copa de 2014.

Clube foi procurado. O Corinthians não vê problema na ideia e trabalha ao lado do Governo para solucionar o imbróglio. O clube foi procurado pelas autoridades paulistas para dar uma força e ajudar a negociar com possíveis patrocinadores.

Uma das empresas que se interessaram foi a Ambev, fabricante de bebidas, que recentemente se aproximou dos principais clubes paulistas. Ela poderia se interessar pelo projeto. Oferecer espaços públicos às empresas interessadas foi a saída encontrada pelo Governo para fugir das exigências da Fifa, que só permite propaganda nos estádios de parceiros oficiais da Copa.

O Governo fez orçamentos e conversou com várias empresas, mas guarda em sigilo os moldes das negociações com os parceiros. Segundo autoridades paulistas, a tendência é que o negócio seja fechado em breve.

Orçadas em cerca de R$ 70 milhões, as arquibancadas móveis ficarão atrás dos dois gols do estádio e terão capacidade para cerca de 20 mil pessoas.

A Odebrecht disse que os R$ 70 milhões não estão inclusos no valor estimado da arena (R$ 820 milhões) e admite que até outra construtora pode ficar como responsável pela construção das arquibancadas móveis.

Após o Mundial de 2014, os assentos temporários serão retirados porque o clube do Parque São Jorge não pretende arcar com os custos de manutenção de uma arena maior. / COLABOROU ALMIR LEITE

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