GP à Valenciana

Chance de um oitavo vencedor diferente existe, mas a pergunta mais viável neste fim de semana é qual dos sete vencedores do ano será o primeiro a ganhar de novo? Hamilton, ainda sem vencer em Valência, mas três anos seguidos chegando em 2.º, é um bom candidato, embora o carro da McLaren deste ano tenha um problema de tração que deve atrapalhar em pistas desse tipo. A Red Bull é a que tem o melhor carro, além de Webber em boa forma e Vettel como o vencedor em 2010 e 2011. E algo me diz que Alonso é um palpite muito forte. Dos outros três vencedores do ano, Button é o mais qualificado, mas tem atravessado momentos difíceis; Rosberg está longe de repetir o domínio que mostrou na China e Maldonado cada vez mais confirma que a vitória na Espanha foi a grande zebra dos últimos anos.

REGINALDO LEME, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2012 | 03h03

Valência está apenas no seu 5.º ano, mas já tem momentos marcantes, especialmente para o torcedor brasileiro. Felipe Massa foi o vencedor na primeira edição dessa corrida em 2008 e no ano seguinte Rubinho Barrichello marcou a 100.ª vitória brasileira na Fórmula-1, quando corria pela Brawn. O grande lance desta corrida, sem dúvida, é o voo da Red Bull de Mark Webber, depois de bater na Lotus de Heikki Kovalainen. Eu nunca vi um carro voar tão alto, a ponto de, por pouco, não bater numa placa aérea de sinalização de trânsito da cidade.

É o circuito que tem o maior número de curvas de todo o campeonato. São 25 no total, sendo 14 para a direita e 11 para a esquerda. E, mesmo assim, durante 69% da volta os pilotos mantém o pé no fundo, com aceleração plena. Várias curvas são percorridas a velocidades acima de 200 km/h e apenas uma, abaixo de 100 km/h. Com 64 mudanças de marcha por volta (em Cingapura são 71), o número em uma corrida chega a 3.650. A média por corrida durante o ano é 3.100 mudanças. Isso quer dizer que o piloto faz uma mudança de marcha a cada 85 metros de pista, bem semelhante à pista de Montreal. Em Mônaco, por exemplo, executa-se uma mudança a cada 61 metros. Isso se explica pelo fato de o circuito ser muito mais curto (3.340 metros, contra 5.419 de Valência). É curiosa a comparação com um circuito longo e veloz como Spa-Francorchamps, em que o piloto faz uma mudança a cada 143 metros.

Pode ser este o último ano em que a Espanha conte com dois GPs. Não por decisão da FIA, mas por dificuldades financeiras, os organizadores das provas de Barcelona e Valência planejam um revezamento entre as duas para receber o GP da Espanha. No momento a corrida valenciana ainda se chama GP da Europa, uma corrida itinerante, que foi disputada duas vezes em Brands Hatch, doze em Nurburgring, uma em Donington Park, duas em Jerez de La Frontera e está em Valência desde 2008. Sem Barcelona ou sem Valência, a F-1 só tem a perder. Quem vier passear pela belíssima Valência e comer uma "paella a la valenciana" vai entender na hora.

Nesta semana Paul McCartney completou 70 anos. Fico me perguntando como teria sido a nossa vida sem este cara que, com apenas três amigos, quatro cordas de um contrabaixo e sete notas musicais, compôs mais de duzentas canções que embalaram todos os momentos que vivemos e os que sonhamos desde os anos 60.

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