Michael Dalder/Reuters
Michael Dalder/Reuters

GP da Alemanha 2000: Barrichello vence a 1ª e se livra de 'peso'

Brasileiro mostra categoria onde Senna era melhor: na chuva

O Estado de S. Paulo

23 de novembro de 2015 | 12h00

Não é fácil ser um piloto brasileiro da Fórmula 1. A sombra de Ayrton Senna, um dos maiores da história do esporte, sempre pesa mais nas costas dos compatriotas. No dia 30 de julho de 2000, durante o GP da Alemanha, Rubens Barrichello conseguiu dar um passo para se aproximar um pouco do grande ídolo da modalidade. O piloto, então em sua em sua temporada de estreia na Ferrari, venceu no autódromo de Hockenheim pela primeira vez em sua carreira, emocionando até mesmo seus companheiros.

Foi "uma das maiores vitórias de um piloto na história do Mundial de Fórmula 1", segundo o Estado publicado após a corrida. "Sinto-me outro homem, mais leve, acho que o peso da morte do Senna, a quem dedico a minha 1ª vitória na F-1, deve estar voando por ai", disse Rubinho após a corrida. 

Não foi fácil. No final da primeira volta estava na 11ª posição. O piloto explicou que a estratégia de duas paradas, apesar de arriscada, foi pensada  deixaria o carro mais leve e eficiente nas frenagens e nas ultrapassagens. Na 15ª volta estava em terceiro. Caiu para quinto após seu primeiro pit stop e retornou ao pódio apenas na 25ª. Sua segunda ida aos boxes foi durante uma invasão a pista e a consequente entrada do safety car. Chega a segunda aproveitando uma punição para Jarno Trulli, da Jordan. 

O grande momento do piloto seria na 35ª volta, quando começa a chover no circuito alemão. Ao contrário dos outros pilotos, Barrichello opta por permanecer na pista, arriscando continuar com os pneus lisos. "Ele demonstra extrema habilidade no estádio, parte do circuito onde há mais curvas, por conta da chuva localizada na área", descreveu o Estado. Com nove segundos de vantagens sobre Mika Hakkinen, da McLaren, e apenas um pouco mais devagar, Rubinho consegue o feito inédito de ser o primeiro a cruzar a bandeira quadriculada.

Chorando no pódio, o brasileiro recebeu o carinho de Haikkinen, Coulthard e até mesmo do rival Schumacher. "Quando um companheiro de equipe abraça outro pode parecer falsidade, mas o abraço que ele me deu foi sincero, muito carinhoso, e valeu muito", disse Rubinho. Segundo o alemão: "Rubens mereceu, foi o melhor piloto da prova; essa vitória é importante para ele, para nossa escuderia e para mim". E foi também para todos os brasileiros, que não viam o verde e amarelo no pódio desde o GP da Austrália de 1993, com Senna. A vitória de Barrichello serviu para aplacar um pouco a saudades e revelar um dos grandes pilotos brasileiros na F-1.  

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