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GP do Japão 1976: 'sem medo', Hunt conquista título mundial

Lauda desiste e ajuda inglês a conquistar campeonato

O Estado de S. Paulo

25 de novembro de 2015 | 12h00

Uma das mais emocionantes e famosas temporadas da Fórmula 1 terminou no GP do Japão em 24 de outubro de 1976. A rivalidade entre Niki Lauda, da Ferrari, e James Hunt, da McLaren, teve um de seus capítulos mais emocionantes no crepúsculo da temporada. O ano, marcado pelo grave acidente que o austríaco da escuderia italiana sofreu no GP de Nurburgring, na Alemanha, só foi decidido na última corrida. Melhor para o inglês, que ficou com a taça. Lauda assistiu dos boxes a vitória de seu adversário.

Lauda começaria a temporada vencendo cinco das nove corridas contra duas de Hunt. Após o acidente, ele voltaria duas corridas depois: um tempo de recuperação impressionante para alguém que sofreu graves queimaduras e perdeu parte da orelha, mas tempo suficiente para James encostar na tabela de classificação do Mundial. Ambos chegaram ao Japão com possibilidade de título. Lauda tinha 68 pontos e Hunt, 65. As condições climáticas em Tóquio, entretanto, evidenciaram ainda mais as diferenças dos dois pilotos, acentuadas cada vez mais ao longo das disputas: o inglês da McLaren teria, segundo o escritor Tom Rubython, do livro "Shunt", passado as duas últimas semanas em uma grande orgia na capital japonesa. Antes da corrida, teria sido encontrado por Patrick Head, sócio da Williams, com uma garota nos boxes.

Já o austríaco da Ferrari demonstrava preocupação com a chuva. Ele acabou entrando na pista a contragosto, dando duas voltas e desistindo da prova. "Muita compreensão, mas também muita amargura foi o que observou os jornais italianos sobre a decisão de Niki Lauda em abandonar a corrida de Monte Fuji por causa da chuva", escreveu o Estado após a corrida. Um simples pódio garantiria o título para Lauda.

Com isso, o título de Hunt ficou separado por apenas 3 pontos. Comandando sua McLaren, o piloto chegou em terceiro lugar, atrás de Mario Andretti, da Lotus, e Patrick Depailler, da Tyrrell, ficando a exatamente um ponto do adversário da Ferrari. "Se tivesse continuado na pista, com todas as quebras e a confissão ocorridas nas últimas voltas, mesmo fazendo uma corrida cautelosa, Lauda teria obtido ao menos uma colocação que lhe garantiria o título Mundial", explicou o Estado.

Melhor para James Hunt, que conquistou seu primeiro e único título Mundial na F-1. A comemoração foi com a marca dele: os amigos conseguiram abrir um bar na madrugada, compraram várias caixas de cerveja e fizeram uma grande festa no quarto 3030 do segundo andar do Hotel Monte Fuji. Na manhã seguinte, em seu primeiro autógrafo, para o carregador de malas, ele escreveu: "Na manhã de meu primeiro dia de campeão, James Hunt".

"O medo praticamente não existe entre os pilotos de Fórmula 1. Todos aprenderam a dominá-lo. Embora essa força se reflita em cada um deles de uma forma diferente", escreveu o Estado. Hunt foi campeão enfrentando o perigo, mas Lauda teve algo mais raro no meio: ele teve coragem de ter medo. 

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