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GPs ameaçados

A Fórmula-1 e o Canadá ficaram para trás. Agora é a vez de Cascavel e a Stock Car. Isso encerra uma maratona de cinco semanas seguidas de F-1 e Stock, que começou por Salvador, passou por Mônaco, Brasília e Montreal. Daqui em diante, um rápido respiro pra ver a primeira semana da Copa das Confederações e já vem mais dois GPs seguidos, na Inglaterra e Alemanha. O jogo final do torneio, com ou sem a seleção brasileira, eu vejo em Silverstone na noite do GP da Inglaterra. São boas as lembranças de jogos de Copas do Mundo que coincidem com a corrida inglesa, e a melhor delas é a de 94, quando juntamos um grande grupo de brasileiros no motor-home da equipe Jordan para ver a vitória contra a Holanda nas quartas de final. Até os italianos da Ferrari assistiram ao jogo conosco, e a maioria torcendo pelo Brasil, que, ironicamente, seria o carrasco da Itália na final daquela Copa.

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2013 | 02h04

A coincidência de Copa e F-1 em Silverstone vai se repetir no ano que vem e está garantida pelo menos para mais uma, a da Rússia em 2018, porque o autódromo inglês, que esteve ameaçado de perder o GP, agora conta com um contrato de longa duração com a FOM. Das 19 corridas atuais, poucas têm um contrato tão longo, e duas que estão sempre ameaçadas, principalmente por questões financeiras, são as do Canadá e Bélgica. No caso do Canadá, que já ficou fora do calendário três vezes nos últimos 30 anos, além da questão financeira, há algumas exigências de melhorias na área do paddock, como acontece também com Interlagos.

Mas se o autódromo brasileiro já tem um projeto que começa a ser executado ainda este ano, na pista de Montreal a limitação física é bem mais complicada. Não há mais como ganhar espaço no paddock, que ano a ano vem avançando sobre a água da raia olímpica sobre plataformas flutuantes. Comparado ao espaço disponível nos anos 80, o paddock atual já é, no mínimo, três vezes maior. Além disso, a corrida canadense é um grande sucesso de público. No último fim de semana, mesmo com chuva e frio na sexta e sábado, 200 mil pessoas estiverem presentes na soma dos três dias. Eu parto do princípio de que o público que enche autódromo merece toda a consideração dos promotores.

Já o GP da Bélgica, que é um dos seis eventos fundadores do Mundial de F-1, teve outros tipos de problemas no decorrer do tempo. Em 1971 o circuito de Spa-Francorchamps, então com 14 quilômetros de extensão, foi vetado por razões de segurança, outros dois autódromos - Nivelles e Zolder - sediaram o GP, e em 83 Spa foi reinaugurado, com o circuito reduzido pela metade. Já nos anos 2000 os organizadores passaram a ter dificuldades financeiras, que deixaram o país fora do Mundial em 2003 e 2006. Apesar da tradição, este GP não tem bom público, e os promotores belgas até já pensaram em um acordo com a França para se fazer um revezamento anual. Desde 2008 a França não tem um GP.

O calendário de 2014 não está ainda finalizado, mas há uma grande chance de o campeonato voltar a ter 20 provas, uma a mais do que este ano. O Bahrein deve substituir a Austrália como local da abertura da temporada, e uma das reuniões de Bernie Ecclestone no fim de semana passado foi com o príncipe barenita para tratar desse assunto. Aliás, o calendário de reuniões de Ecclestone em Montreal foi intenso, e uma das mais importantes foi com representantes da prefeitura de Nova Jersey, que pretendem, finalmente, tornar realidade a tão sonhada corrida de rua em frente ao lado oeste de Manhattan a partir de 2014. Os russos são concorrentes dos americanos, oferecendo como palco da 20.ª etapa do Mundial o autódromo de Sochi, já em construção.

Independentemente do número de corridas, a nova F-1 de motores turbo V-6 e híbridos de 2014 pode ver a volta de períodos de treinos durante a temporada. Seriam quatro períodos de dois dias cada um, em pistas a serem designadas (Barcelona e Silverstone estão entre elas). A idéia já é uma consequência da crise gerada pelo treino secreto que a Mercedes fez em maio na pista de Barcelona. As rivais levaram o caso ao Tribunal Internacional e, mesmo que a equipe alemã seja punida, o acordo que viabilize a programação desses treinos deve ser fechado até o começo do segundo semestre. Esta é uma necessidade que vem sendo reclamada pelas equipes, e a F-1 só tem a ganhar com isso, inclusive para dar chance ao surgimento de novos pilotos.

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