Gramado, transporte, cornetas. Tudo é motivo para reclamação

Campos foram principal alvo de queixas dos times; falta de segurança também chama atenção

Luiz Antônio Prosperi e Sílvio Barsetti, O Estadao de S.Paulo

20 de junho de 2009 | 00h00

Duas rodadas da Copa das Confederações foram suficientes para surgirem as primeiras críticas à organização esportiva da competição. Reclamações ao estado dos gramados, segurança, distribuição de ingressos, transportes e as irritantes cornetas (vuvuzelas) chegaram até a Fifa.Os espanhóis puseram fogo no pavio. Na condição de campeões da Europa, não mediram as palavras para bater na Fifa. "Este gramado (do estádio de Bloemfontein) é um desastre. A Fifa deveria olhar com mais critério. É uma vergonha que tragam as melhores seleções do mundo e nos façam jogar nestas condições", reclamou Piqué, zagueiro da Espanha e do Barcelona. Joseph Blatter, instalado no melhor hotel de Pretória, rebateu com ironias. "São palavras duras, mas todos já sabem: os espanhóis são assim mesmo", disse o presidente da Fifa, na tentativa de amenizar as críticas.Dos quatro estádios à disposição da Copa das Confederações, o Free State (Bloemfontein) e o Ellis Park (Johannesburgo) são os que têm o pior gramado. A Fifa vetou treinos de reconhecimento de gramados na véspera dos jogos nestes dois campos e no de Rustenburg. Os entraves de segurança apareceram no centenário Loftus Versfeld, vulnerável e com graves problemas de infraestrutura.Fora dos estádios, as críticas são a falta de transporte, de segurança, e o alto preço dos ingressos. E os problemas não se restringem ao cidadão comum. A delegação do Egito foi furtada enquanto jogava (veja ao lado).A favor da organização, a boa convivência de negros e brancos dentro dos estádios. O português Mário Caromba, proprietário de uma papelaria no centro de Pretória, disse ao Estado que era impossível levar seu filho de 9 anos aos jogos de futebol na cidade. "O futebol da liga nacional é só dos negros. É muito difícil um branco entrar no estádio entre os jogos de times locais", contou Mário."Os sul-africanos, de qualquer raça, adoram o futebol. É o que se vê nas partidas da Copa das Confederações", disse o diretor geral do Comitê Organizador Local, Danny Jordaan.Blatter anunciou ontem que a Fifa teve lucro de 130 milhões (R$ 357 milhões) em 2008. Detalhe, não tira desta conta os 3 milhões (R$ 8,2 milhões) que a entidade vai dar de prêmio ao campeão da Copa das Confederações.

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