Imagem Paulo Calçade
Colunista
Paulo Calçade
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Grandes x pequenos

A solução veio do banco de reservas. Aos 15 minutos do segundo tempo, Oswaldo de Oliveira percebeu que havia passado tempo demais sem que sua equipe desse um sinal de reação. Naquela altura do confronto, o valente Penapolense precisava administrar a vantagem construída e controlar um adversário que o respeitava demais.

Paulo Calçade , O Estado de S.Paulo

31 de março de 2014 | 02h04

Oswaldo falou sobre isso após o jogo. Era preciso equilibrar o time no intervalo, tirar dele a preocupação, o nervosismo, trazê-lo de volta ao gramado da Vila Belmiro, recuperar o futebol vibrante exibido ao longo do campeonato. Mas é normal que alguns garotos oscilem diante de tamanha responsabilidade.

Em competição de pontos corridos, este Santos sempre será superior ao Penapolense, mas em confronto único, o fator emocional pode interferir no rendimento da equipe. Como interferiu no garoto Gabriel, um dos destaques de todo o campeonato. Distante do clima da semifinal, foi substituído por Rildo.

E Oswaldo já avisou que deseja vê-lo distante dos holofotes para mantê-lo com os pés no chão. Ponto para o treinador, pois no atacante estava o desequilíbrio de seu time.

Nada, porém, supera a lambança entre o goleiro Aranha e o zagueiro David Braz. Um esperou pelo outro e Douglas Tanque fez 2 a 1. O Santos precisava vibrar mais, apresentar algo novo, pois seu sistema estava, até aquele momento, encaixado no jogo do time de Narciso. A 30 minutos do fim da partida, Rildo trouxe a solução do banco. No lugar de Gabriel, precisou de apenas um minuto para oferecer o gol de empate a Leandro Damião. Ponto para o treinador. Mesmo assim, a igualdade ainda estava nos planos do Penapolense, levaria a decisão para os pênaltis, como aconteceu contra o São Paulo, e aumentaria a pressão santista.

O time de Narciso é frio e bem preparado. Não se trata de uma máquina, não joga um futebol maravilhoso, é apenas um time pequeno, cheio de sonhos, que entende a oportunidade oferecida pelo campeonato estadual. A responsabilidade estava do outro lado.

Perto do final da partida, Oswaldo trocou Leandro Damião por Stefano Yuri, e mais uma vez viu sua estrela brilhar. A dele e a do menino, que fez 3 a 2 com passe de Thiago Ribeiro, um minuto após entrar em campo. Mais uma vez, ponto para o treinador.

A proposta de Oswaldo é interessante. Conseguiu manter Cícero no elenco, ganhou Leandro Damião, um especialista na área, e apostou firme na garotada, uma tradição santista no Estadual. No Campeonato Brasileiro será necessário investir mais. O quarteto ofensivo, formado por Geuvânio, Gabriel, Damião e Thiago, vai funcionar em muitas partidas, não em todas. O mesmo se passa com os volantes Arouca e Cícero. Esse modelo pressupõe funcionamento coletivo quase perfeito para cobrir espaços e fazer coberturas. É corajoso, funcionou bem no Paulistinha e agora está na final, depois de um jogo tenso e perigoso.

Não se pode negar a um clube pequeno o direito de disputar o título de um campeonato estadual. Mas é fato que o Penapolense chegou longe demais na competição. Antigamente esses times começavam treinar dois meses antes de a bola rolar, mas hoje não existe dinheiro para tanta preparação. A base da equipe se apresentou no início de janeiro, como Santos, Palmeiras, Corinthians e São Paulo.

Dentro de uma visão comercial do futebol, uma final de estadual sem os grandes significa ainda mais fracasso para o já fracassado Paulistinha. A graça está na surpresa, no que acontece fora dos padrões, no inesperado. Dentro dessa perspectiva, Ituano e Penapolense fizeram bem ao campeonato.

O ideal é sempre ter os grandes, mas em um torneio curto, mal regulado, repleto de estádios sem a menor condição de receber qualquer partida profissional, é melhor fugir do óbvio enquanto o futebol perde tempo misturando grandes e pequenos em competições ridículas.

Tudo o que sabemos sobre:
Paulo Calçade

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.