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Grécia celebra os Jogos do barulho

O filme Casamento Grego, lançado no fim de 2002, fez sucesso no mundo todo mostrando o cotidiano de uma família grega. Divertido, relatou, por meio dos personagens, o estilo de vida do povo: festas para todos os gostos, fartura nas refeições e muita gritaria. Quem nunca visitou o país pode até imaginar que o diretor Joel Zwick tenha exagerado um pouco na dose. Mas ele retratou fielmente o dia-a-dia na Grécia. Esse tipo de comportamento, parecido em alguns aspectos com o do brasileiro, vem provocando sustos nos turistas e já garantiu à Olimpíada o apelido de "Jogos do Barulho". As duas semanas do evento renderam uma série de histórias curiosas e fatos inusitados envolvendo jornalistas e espectadores. A repórter Tatiana Ramil, da Reuters, por exemplo, sentiu-se em meio à Guerra de Tróia, em seus primeiros dias de trabalho. Assim que terminou o jogo entre Brasil e Austrália, em Tessalonica, na estréia do torneio de futebol feminino, Tatiana dirigiu-se à sala de imprensa para escrever o texto e enviá-lo à redação. Percebeu, então, um problema em seu computador e pediu apoio dos técnicos. Apareceram quatro no local. Ela ficou sentada, com dois de um lado e dois do outro, e passou apuros. O tempo corria e os gregos não eram capazes de resolver o problema. Cada um tentava encontrar a solução e dava palpite. Mas consertar a máquina... Foi uma gritaria que dava medo. "Acho que vão me bater", brincou a jornalista. Eram tantos gestos que parecia impossível eles não se socarem. Mas nada aconteceu. É bem verdade que não deixaram o computador em ordem, mas bem que tentaram, com boa vontade. Depois do episódio, a repórter percebeu que atitudes como aquela eram normais no país e deixou de se impressionar. Após a final masculina do vôlei de praia, vencida por Ricardo e Emanuel, os gregos decidiram fazer uma festinha na Arena de Atenas, para celebrar o encerramento da competição na Olimpíada. E que festinha! O volume da música irritou os jornalistas, que ainda faziam seus textos. Tiveram de solicitar que diminuíssem o som. Foram prontamente atendidos. Farra - Em muitos restaurantes, o modo truculento como os garçons tratam seus clientes causa certo espanto. Na verdade, não têm a intenção de ofender a freguesia, mas quem não conhece seu jeito de trabalhar pode se sentir desrespeitado. "Os gregos não são finos, mas são excelentes pessoas", contou a carioca Cláudia Machado, que vivem em Atenas, onde estuda Ciências Políticas. "Eles têm o tom de voz mais forte, pode parecer que estão ofendendo, mas não é isso." Na rua, o turista que parar alguém para ensiná-lo um caminho será atendido com boa vontade. Mas, na hora da explicação, pode pensar que o grego está querendo briga. Vai, seguramente, gesticular bastante e exagerar no tom da fala até que se entenda o que ele quis dizer. Nas partidas da Olimpíada, então, é uma farra, principalmente quando a Grécia está envolvida. E, no trânsito, o que não falta é xingamento entre os motoristas. Mas nada que cause estranheza em quem mora no Rio, em São Paulo...

Agencia Estado,

28 Agosto 2004 | 09h17

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