Grêmio entra firme na disputa para levar Ganso

Gaúchos acenam com o pagamento integral da multa, embaralham o cenário e deixam diretoria são-paulina apreensiva

FERNANDO FARO, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2012 | 10h13

Parecia que o acerto entre São Paulo e Ganso caminhava para um desfecho rápido e feliz para o clube do Morumbi, mas a sinalização do Santos que aceitaria receber apenas os R$23,8 milhões a que tem direito pelos 45% da sua participação fizeram o Grêmio entrar em cena novamente e embaralhar mais uma vez o cenário. O clube gaúcho acenou com a possibilidade de pagar o valor integral da multa e se acertou com o Santos que, por sua vez, prefere ver o meia o mais distante possível de um rival regional.

O interesse gremista foi revelado ao Estado pelo técnico Vanderlei Luxemburgo em entrevista exclusiva no dia 31 de agosto. A diretoria gaúcha rapidamente desmentiu o técnico, mas começou a se movimentar nos bastidores para saber a possibilidade e viabilidade do negócio. Ao ver que o presidente Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro abriu mão da exigência do depósito integral da multa de R$53 milhões, os dirigentes voltaram à carga e acertaram até mesmo os termos do contrato com o DIS, dono dos outros 55% do atleta. Com a situação resolvida com o jogador, a espera agora é por um posicionamento dos santistas.

Prioridade. A investida pegou os são-paulinos desprevenidos e fez o clima de otimismo dar lugar à apreensão. A diretoria paulista estava totalmente confiante no acerto e julgavam ser questão de tempo até sacramentar a contratação, tanto que já planejava entregar a camisa 8 ao jogador e coletou informações sobre seu estado físico. "Existe uma prioridade pelo São Paulo por parte do investidor e do jogador e acreditamos que ela será mantida. Vamos aguardar", afirmou o vice-presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco.

O dirigente tem razão parcialmente. É verdade que tanto DIS quanto Ganso querem o São Paulo e já estão alinhados com o clube, tanto que o investidor cogita ajudar a pagar parte da multa. Mas isso não quer dizer que as partes rejeitem uma mudança de planos e troquem o Morumbi pelo Olímpico. Apesar da preferência pelos paulistas, a maior prioridade é tirar o meia da Vila Belmiro e se isso significar que ele tenha de jogar no Grêmio, ninguém hesitará em aceitar. Os são-paulinos também se apoiam no fato de Delcir Sonda, presidente do DIS, ser torcedor do Internacional e não querer ver um jogador do prestígio de Ganso vestir a camisa do arquirrival.

Do lado santista, Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro não esconde de ninguém que pretende ver o meia em outro clube que não o São Paulo, mas não tem como impedir um acerto entre as partes. O presidente inclusive tem uma briga judicial com o DIS referente a um porcentual da venda de Wesley para o Werder Bremen que não foi repassado ao investidor - tinha 25% dos direitos do meia. A empresa inclusive conseguiu bloquear na Justiça 20% das receitas do clube por causa do imbróglio e a negociação do meia com os rivais paulistas poderia entrar como parte do acordo para pôr fim à disputa.

O Estado tentou contato com o presidente Juvenal Juvêncio e o diretor de futebol Adalberto Baptista para que um dos dois falasse sobre o desfecho da negociação, mas nenhum deles atendeu às ligações. A dupla passou o dia em reunião e, até o fechamento desta edição, a situação de Ganso permanecia inalterada e muito mais nebulosa.

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