Grêmio se agarra à mística pelo título

Time lembra das grandes viradas ara acreditar que pode levar a taça

Elder Ogliari, PORTO ALEGRE, O Estadao de S.Paulo

06 de dezembro de 2008 | 00h00

O Grêmio espera conseguir mais uma reviravolta histórica para comemorar seu terceiro título brasileiro hoje. As façanhas do passado autorizam torcedores, diretores e jogadores a acreditarem que, entre nove combinações de resultado possíveis, vá ocorrer a única que interessa ao tricolor gaúcho, uma vitória contra o Atlético-MG no Olímpico e uma derrota do São Paulo para o Goiás no Bezerrão. "Nossos times podem não ter grande expressão técnica, mas são movidos por essa mística da imortalidade", afirma o presidente do clube gaúcho, Paulo Odone, que espera o Olímpico lotado e prevê festa, seja pela classificação à Libertadores, já assegurada, seja pelo título. A limitação técnica chegou a ser reconhecida pelo assessor de futebol André Krieger depois da 36.ª rodada, quando, derrotado pelo Vitória (4 a 2), o Grêmio viu-se cinco pontos atrás do São Paulo, depois de ter estado 11 à frente do mesmo concorrente na 20.ª rodada. Como o time paulista empatou com o Fluminense (1 a 1), o Tricolor gaúcho manteve a pequena chance à qual se agarra para esta rodada decisiva. O momento mais citado da mística gremista é o da Batalha dos Aflitos, em 2005, na qual derrotou o Náutico (1 a 0), no Recife, marcando seu gol quando tinha sete jogadores contra dez, para voltar à Série A. Mas há exemplos antigos também. Em 1962 o Grêmio estava cinco pontos atrás do Internacional a três rodadas do encerramento do Campeonato Gaúcho. Naquele tempo as vitórias valiam apenas dois pontos. Uma série de três tropeços do rival combinada com suas vitórias levou o Tricolor ao título. Os jogadores atuais já incorporaram a inabalável fé dos gremistas. O meia Souza, curiosamente o único do time que já tem títulos brasileiros - os dois que conquistou pelo São Paulo - está cheio de esperança. Acredita que será tricampeão graças à força dos torcedores que estão rezando pela conquista. "O grupo (de jogadores) tem esperança, mas também tem humildade e garra para conseguir o que quer", comenta. O zagueiro Pereira, remanescente da Batalha dos Aflitos, diz que a situação é semelhante. Ele compara o empate do São Paulo contra o Fluminense, que suspendeu a festa do título no Morumbi, com o pênalti que o Náutico perdeu quando jogava com 11 contra sete acuados gremistas. E espera que a rodada de hoje corresponda à jogada de Anderson, que entrou na atônita defesa pernambucana a dribles e marcou o gol da vitória. "Nessas horas o Grêmio mostra sua força, usa sua mística, e vai alcançando conquistas", ressalta. Apesar da fé, os gremistas não descuidam de sua própria tarefa e vão tratar de não pensar no São Paulo na hora do jogo. Sabem que não adianta ver o concorrente tropeçar, se não vencerem. "Até o final da rodada, é só isso que nos interessa", afirma o zagueiro Réver. "Depois, se for vontade de Deus, poderemos ser consagrados também com o título." O técnico Celso Roth também repete a toda hora que o Grêmio terá de manter o foco somente em seu jogo, que considera difícil como qualquer clássico do futebol brasileiro. Ele não tem problemas para escalar o time.

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