Greve de operários pára obras no Estádio João Havelange

Em meio ao ritmo acelerado das obras no Estádio João Havelange, previsto inicialmente para ficar pronto em julho de 2005, centenas de operários cruzaram os braços nesta sexta-feira, numa ?paralisação de advertência?, para denunciar más condições de trabalho e reivindicar aumento salarial. Eles alegam que há focos de dengue no local da maior obra do Pan-Americanos de 2007 e que estão submetidos a uma carga excessiva de trabalho para recuperar o atraso no cronograma. Tanto a prefeitura do Rio, gestora das obras, como a Odebrecht, uma das responsáveis pela construção, negam as denúncias. ?Há poças sob as lajes das arquibancadas, numa exposição à dengue, e ninguém toma providências. Meu irmão, meu primo e vários outros colegas de obra já contraíram a doença?, afirmou José Gonçalves, de 32 anos. Ele ficou algumas horas fora do complexo do Engenhão, em frente a entrada principal do estádio, numa roda com mais de dez operários. Todos tinham pelo menos uma história para contar e eram bem críticos. ?Estou com uma tosse forte há três semanas. Tenho certeza que é causada pela poeira da obra. Nem tenho dormido direito. Mas quando vou aos médicos do posto (localizado dentro do Engenhão), eles dizem que não tenho nada, que isso é frescura?, disse Ronaldo de Jesus, de 29 anos. A lista de reclamações é mais extensa. ?O banheiro está sempre com um palmo de água, isso quando não tem rato por lá?, disse outro trabalhador, logo interrompido por Ronaldo de Jesus. ?E a comida? Nós estamos chegando às 7 horas, encerrando o expediente às 2 horas da madrugada e não nos oferecem jantar. Querem tocar as obras até o último fôlego e não se preocupam conosco.? A diretoria do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada do Estado do Rio de Janeiro esteve no Engenhão e atestou ?algumas irregularidades?. ?Os operários só dispõem de água quente para beber. Nas últimas semanas, o calor no Rio tem chegado próximo dos 40 graus?, disse Sérgio Luís Silva da Fonseca, representante do sindicato. DissídioA Odebrecht negou as denúncias dos funcionários da obra. Segundo a assessoria de imprensa da construtora, não chegou a haver uma paralisação. Eles teriam conversado com representantes do consórcio, responsável pela construção, sobre reajustes salariais, já que está na época do dissídio da categoria. Nenhum membro da diretoria da empresa se dispôs a conversar com a imprensa, mas sua assessoria argumentou que uma empresa do porte da Odebrecht jamais deixaria um empregado sem jantar ou sem condições de higiene. O presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Construção Pesada, Luiz Fernando Santos Reis, disse que, diante da premência pela conclusão das obras do Pan, que estão muito atrasadas, houve um incremento grande no número de operários. ?O consórcio (formado pela Odebrecht e OAS) está fazendo um esforço hercúleo para atender os prazos e alguns desses problemas, como falta de condições de higiene nos banheiros, pode ter acontecido um dia ou outro.? Em nota, a RioUrbe, órgão da prefeitura, gestora das obras, informou que o movimento atingiu não mais que 200 operários. Já o sindicato da categoria afirmou que a adesão chegou a 80% dos 2.300 trabalhadores. ?Há o prazo de uma semana para tudo ser solucionado. Senão, pode haver outra paralisação?, disse Sérgio Luís Fonseca. A RioUrbe, por meio de sua assessoria de imprensa, prometeu abrir as portas do Engenhão para a imprensa, na segunda-feira, o que não foi possível nesta sexta, quando alguns repórteres chegaram a ser expulsos do local.Atualizado às 20h02

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