Greve e protestos tumultuam a África

Trabalhadores exigem aumento de 15% e param as principais cidades. Em East London, uma pessoa morreu e dez foram presas

Cristiano Dias, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2010 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL

JOHANNESBURGO

A menos de dois meses do início da Copa do Mundo, o governo sul-africano passou a ter mais um problema. O Sindicato dos Trabalhadores Municipais da África do Sul (Sanmwu, na sigla em inglês) realizou ontem manifestações de rua para marcar o início de uma greve por melhores salários. Os protestos paralisaram as principais cidades do país. Em Johannesburgo, a polícia fechou vias públicas e teve de desviar o trânsito, que ficou ainda mais caótico do que o normal. Em East London, sul do país, uma pessoa morreu e dez foram presas. A greve também afetou Cidade do Cabo e Durban, outras sedes do Mundial.

O sindicato tem 130 mil filiados ligados aos setores de transporte público, limpeza urbana e todo o aparato administrativo dos municípios, incluindo saúde e educação. Os grevistas estão usando a proximidade da Copa como ferramenta de barganha política. Durante as manifestações de ontem, cartazes faziam referência ao Mundial: "Sem aumento, sem Copa." Em tom de ameaça, os líderes do movimento lembraram que a competição será prejudicada em razão da falta de serviços básicos, como a coleta de lixo e a limpeza das ruas.

"Não pretendemos fazer greve durante a Copa simplesmente porque esperamos resolver a situação bem antes disso", declarou, ontem, Tahir Sema, porta-voz do Samwu. Na semana passada, a Cosatu, maior central sindical do país, ameaçou entrar em greve durante a realização do Mundial, e por tempo indeterminado, se o aumento de 25% na tarifa de energia elétrica não for revisto pelo governo.

O Sanmwu calcula que pelo menos 60 mil pessoas deixaram de trabalhar ontem, mas serviços essenciais, como os de bombeiros, médicos e polícias metropolitanas, não foram afetados. Os trabalhadores exigem um aumento de até 15% do salário mínimo e alegam que algumas categorias não são reajustadas há seis anos. "Não queremos mais os salários da época do apartheid", afirmou Andre Adams, secretário do sindicato. O governo reconhece a defasagem, mas diz que um eventual aumento não está previsto no orçamento aprovado para este ano.

Na Alemanha. Dentro de campo, 25 jogadores da seleção sul-africana e Carlos Alberto Parreira viajaram ontem para a Alemanha, onde a equipe ficará durante duas semanas em mais uma etapa da preparação para o Mundial. A seleção sul-africana disputará pelo menos um amistoso, contra a China, em 28 de abril, e outros três jogos contra times alemães. Os jogadores retornam no fim do mês à África do Sul, onde começarão a terceira fase de preparação para o Mundial em Storrock Park, o complexo esportivo da Universidade Wits, em Johannesburgo.

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