Clayton de Souza/AE
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Greve no Mineirão ofusca presença de Dilma e Pelé

Paralisação na reforma do estádio esfriou os ânimos das autoridades mineiras que sonham com a abertura da Copa

Eduardo Kattah e Aline Reskalla / BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2011 | 00h00

Na simbólica data que marcou a contagem regressiva dos mil dias para o início da Copa de 2014, a presidente Dilma Rousseff e Pelé, embaixador honorário do Brasil no Mundial, desembarcaram ontem em Belo Horizonte para conhecer de perto as obras de revitalização do Mineirão - uma das intervenções em estádios que estão mais adiantadas, conforme o cronograma elaborado. Concebida pelas autoridades mineiras, que trabalham para que Belo Horizonte seja escolhida como sede da abertura do Mundial, a visita de Dilma e Pelé, porém, ofuscada pela paralisação dos operários que trabalham na obra.

O ministro do Esporte, Orlando Silva, admitiu que a ocorrência de greves será uma constante no período que resta até o início da Copa. A nova paralisação - a primeira, em junho, durou cinco dias - no canteiro de obras do Mineirão foi iniciada na quinta-feira. Ontem, centenas de trabalhadores permaneciam de braços cruzados e promoveram um ato em frente ao estádio.

"A greve no Mineirão, a greve no Maracanã, a greve em Salvador, elas não foram as primeiras e seguramente não serão as últimas greves. São reivindicações dos trabalhadores. O que nós não podemos perder é o canal de diálogo, é o prazo de execução das obras", disse o ministro, destacando que o País irá "se mostrar para o mundo como ele é". "O Brasil é uma democracia." Dilma e sua comitiva - além de Pelé, ministros e parlamentares -, entraram no estádio pelo lado oposto ao que operários em greve promoviam a manifestação com direito a carro de som.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil, Osmir Venuto, garantiu que a paralisação atingia quase 100% dos cerca de mil trabalhadores da obra. Ele negou que o ato tenha sido deflagrado em função da visita da presidente. "Não temos nada com a Dilma. Essa greve aqui é contra a (o consórcio Minas) Arena. Nós nem sabíamos que a presidente vinha aqui."

Os trabalhadores cobram equiparação do piso salarial com São Paulo, reajuste no tíquete refeição e melhorias na infra-estrutura do canteiro de obras. Ricardo Barra, presidente do consórcio Minas Arena, classificou a greve como "oportunista". "Acho que é uma greve oportunista em função do evento. Só posso entender dessa forma, uma vez que está tudo sendo rigorosamente cumprido".

Na visita ao Mineirão, Dilma cumprimentou alguns poucos funcionários que estavam em uma área reservada. Entre eles, apenas cinco vestiam o uniforme amarelo de operário. A presidente recebeu uma camisa do Atlético Mineiro, clube para o qual torce, e posou para os fotógrafos ao lado de Pelé segurando uma camisa da seleção com a inscrição "1.000 dias". Numa solenidade na prefeitura, lembrou que a data é simbólica, pois o ex-craque da seleção é autor de mais de mil gols.

Abertura. Os políticos mineiros presentes aproveitaram para pedir a ajuda de Dilma para que a capital mineira continue no páreo pela abertura do Mundial. "Voltamos a reivindicar a ela a abertura da Copa no Mineirão. Ela ficou encantada com a maquete, ficou encantada com a obra", disse o governador Antonio Anastasia.

Belo Horizonte foi escolhida pela Fifa a cidade oficial da cerimônia dos mil dias. Dilma visitou a capital pela manhã e mais uma vez evitou um encontro com o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, que participaria à noite da solenidade oficial de inauguração do relógio que vai fazer a contagem regressiva para a Copa de 2014.

A agenda da presidente terminou no início da tarde com o anúncio de investimentos no metrô de Belo Horizonte - um total de cerca de R$ 3 bilhões (incluindo contrapartida de estados e prefeitura), como parte do PAC 2 Copa. "A Copa do Mundo é o momento de afirmação do País, de sua capacidade de organizar, talvez, um dos maiores eventos de hoje", destacou Dilma.

Projeto da Lei Geral da Copa. A presidente assinou ontem o projeto da Lei Geral da Copa, que precisará ser aprovado pelo Congresso e consiste num conjunto de regras como direitos de transmissão, proteção de marcas e patentes, obtenção de visto para estrangeiros e comércio entre as cidades-sede, entre outras.

"É o último diploma legal do Executivo. Dessa maneira concluímos os ajustes constitucionais", observou o ministro Orlando Silva. "Trata de aspectos operacionais e funcionais da Copa."

Paralisações

ORLANDO SILVA

MINISTRO DO ESPORTE

"A greve no Mineirão, a greve no Maracanã, a greve em Salvador, elas não foram as primeiras e não serão as últimas"

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