Jadson Marques/Estadão
Jadson Marques/Estadão

Grupo organiza um protesto neste domingo no Maracanã

Cerca de mil manifestantes entraram em confronto com a PM, que atacou bombas de efeito moral

HELOÍSA ARUTH STURM, SÉRGIO TORRES E TIAGO ROGERO, Agência Estado

16 Junho 2013 | 14h32

Atualizado às 16h30

RIO - Tropas da Polícia Militar (PM) do Rio voltaram a atacar os manifestantes no entorno do Maracanã, após o primeiro confronto, minutos antes, próximo ao viaduto Oduvaldo Cozzi, acesso à entrada principal do estádio.

Bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo foram atiradas contra as cerca de 500 pessoas que sentaram-se no asfalto, no acesso à vizinha Quinta da Boa Vista.

No momento do ataque, os manifestantes cantavam o "Hino Nacional". A PM alegou que precisava desocupar a via pública, parcialmente interditada pelos manifestantes. Mais uma vez, o protesto se dispersou.

Situada ao lado do local onde ocorreu o segundo tumulto, a estação São Cristóvão do Metrô foi fechada. Diversas pessoas queixaram-se de ter sido atingidas por jatos de spray de pimenta.

Afastados do tumulto por um cordão de policiais militares, os jornalistas conseguir ver, à distância, muita correria e tumulto.

Asmática, uma manifestante caiu ao chão no primeiro ataque da PM e teve que ser socorrida por colegas, já que tinha dificuldades de respirar em meio à fumaça. Não há ainda informações sobre outras vítimas. Também não se sabe se há presos pelos cerca de 20 PMs da Tropa de Choque e 16 profissionais da Força de Segurança Nacional, encarregados de reprimir o protesto.

O estudante Daniel Batista, um dos organizadores da manifestação, considerou arbitrária a ação policial, pois o protesto transcorria de maneira pacífica.

"Desde o princípio fizemos tudo certo. Entregamos ofício ao 4.º Batalhão da PM. O tempo todo negociamos, mas não houve diálogo. Cercaram os manifestantes. Fomos encurralados, quando a polícia deveria nos proteger", afirmou Batista.

Os manifestantes carregavam cartazes contra os gastos públicos com o evento e conclamam a população a se manifestar. "Copa para quem?", "Quando o povo parar de se conformar, o Brasil vai mudar" e "Desliga a TV e pensa" são alguns dos dizeres, parte deles em inglês.

No início, um grupo de 20 homens da Polícia Militar e da Força Nacional de Segurança acompanhavam o protesto, que reunia jovens, em sua maioria. Com bandeiras do Brasil, eles tentaram subir o viaduto que dá acesso ao estádio, mas foram barrados pela polícia, que garantiu a entrada das pessoas que tinham ingressos para assistir à partida. A situação deixou os torcedores amedrontados. Os manifestantes forçaram a passagem e a polícia conteve o grupo com spray de pimenta.

No sábado, antes da abertura da Copa das Confederações, o Estádio Nacional de Brasília (Mané Garrincha), palco do jogo entre Brasil e Japão, também recebeu um protesto contra os gastos públicos para a realização da competição. Com um cordão de isolamento, a polícia evitou que os manifestantes se aproximassem dos portões de acesso da arena. E a manifestação acabou em confronto com a PM.

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