Guarani põe a sua agonia em campo

Lanterna do campeonato, o time recebe o Atlético Sorocaba, penúltimo colocado, na luta contra mais um rebaixamento

CAMPINAS, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2013 | 02h08

O tradicional Guarani vive uma triste e trágica decadência. O clube campeão brasileiro de 1978 e que já revelou para o futebol craques como Careca, Renato, Evair e Neto está na lanterna do Campeonato Paulista, e caso não consiga reverter a situação chegará ao nono rebaixamento em 12 anos e o segundo em apenas seis meses.

Esse novo e infeliz capítulo que se aproxima parecia improvável há pouco menos de um ano. O Guarani fez uma campanha surpreendente no Campeonato Paulista de 2012 ao eliminar Palmeiras e Ponte Preta e chegou à final.

O time de garotos jovens e promissores só não foi páreo para o Santos na final, mas se não encerrou o jejum de títulos que dura desde 1981, ao menos criou a expectativa de que teria um bom segundo semestre. Mas não foi nada disso.

Após o Estadual, as revelações daquela equipe começaram a partir. Para o Santos se transferiram o lateral-direito Bruno Peres e do volante Ewerton Páscoa. O zagueiro Neto se juntou a eles meses depois e o atacante Bruno Mendes foi para o Botafogo.

Na Série B tudo deu errado. O Guarani entrou na última rodada como o último time antes da zona de rebaixamento, e para evitar a queda bastava vencer o São Caetano dentro de casa. Mas os visitantes ganharam por 2 a 1 e os demais resultados não ajudaram. Com isso, a equipe caiu para a Série C.

Na Justiça. Para complicar, toda a inútil luta contra a queda se passou enquanto o Guarani corria o risco de perder o estádio Brinco de Ouro.

A 1ª Vara da Justiça do Trabalho determinou a penhora do local para que fossem quitadas as dívidas trabalhistas de R$ 155 milhões.

A diretoria conseguiu reverter a situação e colocou em leilão um terreno que pertencia ao clube. Mas o local foi arrematado por um valor cinco vezes menor do que o previsto.

No fim do ano 12 jogadores foram dispensados e a cota das transmissões de tevê referente a 2013 foi antecipada para o clube poder pagar os salários. Mesmo assim as finanças continuaram ruins, e no começo de 2013 o Brinco de Ouro, local do título brasileiro de 1978, sofreu um novo golpe. A Federação Paulista não liberou o estádio porque o Corpo de Bombeiros não o considerou seguro. O clube até conseguiu reverter a medida, mas teve de realizar obras de adequação no tobogã, que continua fechado.

Decisão em casa. Em boas ou más condições o estádio hoje vai ter de ser o palco da reação do time, que tem um confronto direto contra o vice-lanterna Atlético Sorocaba. Há sete jogos sem vencer, o Guarani tem a chance para minimizar o caos.

"Temos vários exemplos de recuperações que pareciam impossíveis e aconteceram. A gente acredita que é possível escapar", afirmou o lateral-esquerdo Marquinhos.

"Se você me perguntar se nosso time vai conseguir se salvar, eu acho que vai", reforçou o técnico Branco.

Cabe ao lateral-esquerdo da seleção que foi tetracampeã mundial em 1994 nos Estados Unidos tentar frear a queda livre de um clube que vê cada vez mais longe o seu passado vitorioso.

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