Guarani vê jogo com Flu como vitrine

Presidente promete manter jogadores até a última rodada, apesar do rebaixamento para a Série B, e aposta em empenho do time contra o líder, no Rio

Anelso Paixão, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2010 | 00h00

O que levaria um time que não vence fora de casa há seis meses - a última vez foi em 3 de junho, contra o Vasco, em São Januário -, que não ganha em casa há 11 rodadas - desde o dia 25 de setembro, contra o próprio Vasco, pela 25.ª rodada - e que já está rebaixado a vencer o líder do campeonato na última rodada? Quem responde é Leonel Martins de Oliveira, presidente do Guarani, clube que vive esse pesadelo no momento: "Todo jogador de futebol gosta de visibilidade, e quer visibilidade maior do que vencer o líder num jogo em que todos estarão olhando?"

Rebaixado com a derrota para o Grêmio, no domingo, em Campinas, o Guarani é encarado pelos especialistas como presa fácil para o embalado Fluminense, de Muricy Ramalho, a um passo do título. "No futebol tudo é possível. O retrospecto, é claro, é favorável ao Fluminense, mas nossos atletas têm ainda o compromisso de entrar em campo e fazer o melhor possível até o fim do campeonato", afirma o dirigente, que resolveu manter a comissão técnica - Vágner Mancini tem contrato até o fim do Campeonato Paulista de 2011 - e o elenco. "Alguns contratos de jogadores terminam no fim do ano, mas, até lá, todos seguem conosco e têm o compromisso de honrar a camisa do Guarani."

A possível mala branca (incentivo para o time vencer o jogo), que seria enviada pelo Corinthians para motivar os atletas do Guarani, não é assunto que o dirigente gosta de comentar. "Isso eu não sei. Se é que ocorrem essas coisas no futebol, deve ser entre os atletas. De minha parte, o que sei é que os jogadores recebem seus salários para entrar em campo e tentar a vitória sempre."

A questão salarial, aliás, sempre foi apontada com um dos motivos do fracasso do Guarani na reta final da competição, mas o dirigente discorda. "O salário sempre esteve atrasado, mas dentro da normalidade do futebol. Pagamos com 15 ou 20 dias de atraso, mas não é por isso que o time foi rebaixado. Algumas vezes, com os vencimentos em dia, o time perdeu. E, em outras, com atraso, venceu seus jogos."

Nesta semana, Leonel Martins de Oliveira garante que tudo será acertado. "Mas isso já estava combinado com os atletas. Não há nada de novo. Vamos pagar na data em que tínhamos programado."

Herança maldita. O presidente bugrino não nega, porém, que a situação do clube é muito difícil e que isso prejudicou na rápida passagem pela Série A do futebol nacional - subiu no ano passado e caiu neste. "A situação do Guarani é difícil, delicada, até mesmo pela herança que recebemos. Pagamos até hoje pelos erros das administrações passadas. E, numa Série A, enfrentamos adversários mais estruturados, com situação financeira superior."

De acordo com o dirigente, os problemas econômicos influíram na montagem do elenco. "É claro que nosso time tinha algumas deficiências, mas, em determinado momento do campeonato, quando os atletas já estão encaixados nos clubes, fica mais difícil contratar. O mercado se fecha, os valores ficam muito altos."

Sobre o futuro, o dirigente evita previsões. "No ano passado, com o time na Segunda Divisão paulista, ninguém imaginava que pudéssemos subir na Série B do Brasileiro, mas fomos lá e conseguimos. Isso pode se repetir." Leonel Martins de Oliveira não fala, porém, sobre a situação do atual elenco. "É claro que o planejamento para a Série A seria um e, para a Série B, será outro, mas vamos lutar como sempre."

RADIOGRAFIA DE UM REBAIXAMENTO

1

vitória fora de casa tem o Guarani em todo o campeonato, contra o Vasco, em São Januário

6

meses faz que o time não vence fora do Brinco de Ouro - a última vez foi no dia 3 de junho

7

gols marcou Mazola, o artilheiro do time, que não joga contra o Fluminense, porque vai cumprir suspensão automática. A outra baixa é Baiano, autor de 5 gols

8

vitórias teve o Guarani em toda a competição, sete delas atuando em casa

16

derrotas sofreu o time no Nacional, 13 delas fora de casa e três no Brinco de Ouro

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