Guardiola?

Eu não sei se Romário, em seu furor verborrágico, acerta ao apontar a saída de Mano como a solução para todos os problemas da seleção brasileira. Afinal, o futebol anêmico que estamos apresentando pode ter outras causas. Não podemos desprezar, por exemplo, o fato de que a geração de grandes craques que deveria estar no auge da forma - com destaque para Kaká, Adriano e Ronaldinho Gaúcho - está tão longe disso quanto nos encontramos, no momento, distantes do hexa. Também não é pouco significativa a diferença técnica e física dos laterais brasileiros surgidos depois da aposentadoria de Cafu e Roberto Carlos. O mesmo vale para o gol, onde não temos ainda um nome como Taffarel ou o Julio César das melhores safras. Isso sem falar que nos falta um líder dentro de campo, um craque capaz de impor destemor aos companheiros na mesma medida em que inspira temor aos adversários.

MARCOS CAETANO, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2012 | 03h03

Por outro lado, eu tenho uma confiança danada no sentimento do torcedor. Não sou daqueles que acha que a voz do povo é sempre a voz de Deus, mas há certa sabedoria coletiva presente numa torcida que só quem frequenta os estádios entende. A torcida sabe, sei lá como, quando o time está para sofrer ou marcar um gol. Pressente títulos, rebaixamentos e outros bichos. Erra, às vezes, mas costuma acertar bem mais. E, neste momento, o encanto dos torcedores com a seleção brasileira está despedaçado. Insisto: não sei se a saída do técnico solucionará isso. O que sei é que não podemos admitir uma Copa do Mundo no Brasil sem a sacrossanta comunhão entre torcida e time.

Por conta de tudo isso, é possível que alguma cabeça premiada na CBF decida colocar a cabeça de Mano a prêmio. Se essa possibilidade se tornar uma realidade, aí sim eu gostaria de dar um humilde pitaco. É voz corrente que, na eventual demissão de Mano, o nome ungido para assumir o comando é Felipão. Ao que eu pergunto: o Felipão copeiro e campeão do mundo ou o Felipão ranheta e resmungão da triste campanha do Palmeiras no Brasileirão? Já a segunda opção para o cargo é Muricy, que, como Felipão, anda numa rabugice ímpar e comanda um time com campanha nada brilhante na temporada.

Ao que eu pergunto: agora que o mundo escancarou suas portas para o Brasil não seria também o momento de o Brasil abrir sua mente para o mundo? Não seria a hora de termos um estrangeiro no comando da seleção?

Competência não tem passaporte e, por sorte, há no mercado um treinador jovem, carismático, absolutamente vencedor e disponível para contratação. Um técnico que encantou o mundo com um futebol do jeito que gostamos: envolvente, com toque de bola e sem abrir mão da aplicação tática. Um comandante que levou o Barcelona a praticar o melhor futebol das últimas décadas. Ao deixar o clube, com incríveis 82% de aproveitamento, disse que queria um tempo para descansar, mas duvido que ele ou qualquer outro recuse um convite da mítica seleção brasileira, ainda mais às vésperas de um Mundial no Brasil.

Seu nome? Josep Guardiola, apelidos Pep e Marol. Se precisarem do telefone dele, o pessoal aqui da redação consegue rapidinho. Fica a dica.

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