Guerra com Ceni pode derrubar Adalberto

O presidente Juvenal Juvêncio está sendo muito cobrado para demitir o diretor de futebol

FERNANDO FARO, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2013 | 02h11

"Você precisa demitir o Adalberto (Baptista) para se salvar." Foi essa a frase que Juvenal Juvêncio ouviu de um dirigente ainda no vestiário do Pacaembu, após o São Paulo perder o título da Recopa para o Corinthians. O diretor de futebol está sob intenso bombardeio e mais fragilizado do que nunca no cargo, e só se sustenta graças à confiança do presidente - que, por enquanto, resiste à pressão e o mantém no posto.

A resposta de Adalberto Baptista à declaração de Rogério Ceni de que o clube havia parado no tempo repercutiu muito mal no clube. Ao desviar o foco e dizer que o goleiro está falhando tecnicamente e próximo de se aposentar, Adalberto pode ter iniciado sua própria fritura por querer bater de frente justamente com o maior ídolo da torcida. "Foi desnecessário, deselegante e grosseiro", disse ao Estado uma das pessoas da diretoria que têm melhor trânsito com Juvenal. "Eu já falei que ele precisa demiti-lo. Acabou."

Ontem, Rogério comentou o que Adalberto disse na quinta-feira. Em entrevista à ESPN Brasil, deixou claro que não engoliu as críticas recebidas. "Não falei com o Adalberto depois da entrevista que ele deu, mas duas coisas me deixaram surpreso: primeiro, eu não sinto mais dor no pé e tenho jogado normalmente. Tenho batido faltas e domingo passado fiz um gol (o diretor disse que ele anda falhando na reposição de bola por estar jogando com dor). E, depois, a minha vontade de ganhar títulos nesses últimos meses que faltam para encerrar a minha carreira é a mesma que sempre tive desde o começo (Adalberto disse que ele está frustrado porque quer se aposentar com título)."

O dirigente se reuniu ontem com o elenco para tentar pôr fim à polêmica. "Da nossa parte, está tudo certo", amenizou Paulo Autuori.

O entrevero com Rogério apenas expôs a falta de tato de Adalberto com os jogadores, que não gostam do dirigente e reservadamente fazem críticas ao seu desempenho no cargo. As principais reclamações são de truculência e falta de diálogo. Quando o goleiro abriu fogo pesado contra o clube, mirava especialmente em Adalberto.

Até mesmo dentro da própria diretoria o prestígio dele foi para o espaço. A parceria formada com o vice de futebol João Paulo de Jesus Lopes para resolver todas as questões ligadas ao futebol virou um incômodo para os demais, que se sentem desprestigiados. "O clube se fechou em três pessoas, isso vai contra a nossa história", disse um membro da diretoria. Para outro, "Adalberto devia pedir para sair". Conselheiros do clube também cobram sua saída.

Procurado para comentar o assunto, Adalberto Baptista não atendeu às ligações.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.